Após conquistas de 2024, movimento pela eliminação do  câncer do colo do útero intensifica ações no Janeiro Verde

Após conquistas de 2024, movimento pela eliminação do câncer do colo do útero intensifica ações no Janeiro Verde

O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) abre o ano de 2025 com o radar de monitoramento que visa um futuro livre da doença por meio da maior adesão à vacinação contra o HPV e ao teste HPV-DNA, além da oferta de tratamento adequado a partir da identificação de lesões pré-câncer 

O Janeiro Verde, mês de conscientização do câncer do colo do útero, abre o calendário de prevenção de câncer acompanhado das boas notícias que marcaram o ano de 2024, que foram a criação do Radar pela Eliminação do Câncer do Colo do Útero; a volta, anunciada pelo Ministério da Saúde, da vacinação contra o HPV nas escolas, nas esferas federal, estadual e municipal e a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) do teste de DNA para detecção do HPV. O objetivo para o novo ano é intensificar o acesso da população-alvo a esses avanços, caminhando para um futuro livre da doença. 

O Janeiro Verde acontece em todo o território nacional, com palestras, campanhas educativas e distribuição de material informativo, em hospitais, postos de saúde e nas redes sociais. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar aproximadamente 17 mil novos casos de câncer do colo do útero em 2025, sendo o segundo tumor maligno mais comum na mulher (atrás apenas do câncer de mama) e o câncer ginecológico mais comum no país. 

A oncologista clínica Andréa Gadêlha Guimarães, presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), ressalta que a eliminação do câncer do colo do útero é uma meta possível. “O câncer do colo do útero é um dos tipos de câncer mais preveníveis, graças à vacinação contra o HPV e estratégias efetivas como o Papanicolau e o teste molecular para detecção para detecção do vírus HPV”, ressalta. 

7 ANOS DO MOVIMENTO “BRASIL SEM CÂNCER DE COLO DO ÚTERO” - Criado em 2018, o movimento "Brasil Sem Câncer de Colo do Útero" conta com o apoio de mais de 20 sociedades médicas e visa reverter a desinformação que ainda prevalece sobre o câncer de colo do útero e promover mudanças fundamentais nas políticas públicas de saúde. Entre suas responsabilidades para 2025 está o monitoramento da efetividade da volta da vacinação contra o HPV nas escolas e do acesso ao teste de DNA para detecção do HPV.   

A expectativa do Grupo EVA é que, ao aplicar a vacina nas escolas, será possível atingir uma grande parte da população de forma eficiente e inclusiva, cujo objetivo é criar uma geração de jovens protegidos contra o câncer do colo do útero. Em relação ao teste de HPV-DNA, além de ser uma tecnologia eficaz para detecção e diagnóstico precoce, traz a vantagem do aumento do intervalo de realização do exame. Enquanto o rastreio por meio do exame Papanicolau deve ser realizado a cada três anos e, em caso de detecção de alguma lesão, de forma anual, a nova testagem é recomendada a cada cinco anos. O Ministério da Saúde acredita que, com essa mudança, haverá melhor adesão e facilitará o acesso ao exame.

Na prática, a testagem molecular para detecção do vírus HPV é uma estratégia de rastreio mais sensível. Ela identifica mais pacientes em risco, detectando não a lesão pré-maligna, mas sim ela age antes disso, identificando se a pessoa apresenta infecção por algum HPV de alto risco. Portanto, o exame permite a descoberta antes que se tenha alguma lesão pré maligna. Além disso, a coleta do HPV-DNA é mais fácil, permitindo à mulher a autocoleta. 

Por meio do monitoramento, o Grupo EVA vislumbra ver o Brasil avançar rumo ao cumprimento das três metas principais para a eliminação global do câncer do colo do útero, que são ter 90% das meninas de 9 a 14 anos vacinadas contra o HPV; 70% das mulheres de 35 a 45 anos com teste de HPV-DNA realizado e 90% das mulheres com lesões iniciais devidamente tratadas.

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Melina Ferrazzo

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