Uma das mais premiadas da noite, a editora se destaca com obras sobre gaslighting médico e antocianinas
A Editora Appris conquistou dois troféus na terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, um dos principais reconhecimentos brasileiros à produção acadêmica, científica, técnica e profissional. Os livros “Gaslighting médico: entre a vida e a morte”, de Victória Fernandes Carneiro, e “Antocianinas: explorando cores, reações químicas, estabilidade, extração, biodisponibilidade e benefícios à saúde”, de Paulo Anna Bobbio (1926–2001) e Paulo Cesar Stringheta, foram vencedores nas categorias Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social e Ciência de Alimentos e Nutrição, respectivamente. O resultado foi anunciado na noite de terça-feira (11), durante cerimônia realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.
Com 16 anos de trajetória, a Appris esteve entre as casas editoriais que mais receberam troféus na noite de premiação. Os reconhecimentos contemplam trabalhos de áreas distintas e reforçam a diversidade da produção acadêmica publicada pela editora. “Todas essas conquistas são resultado também de um trabalho contínuo da editora. Hoje temos reconhecimento de autores, leitores e do próprio mercado editorial. Nosso objetivo para os próximos anos é continuar crescendo sem perder a identidade que nos trouxe até aqui: publicar com qualidade e liberdade de conteúdos, foco na abrangente circulação das obras e gerar oportunidades para muitos autores brasileiros”, diz Sara Coelho, diretora executiva da Appris.
Vencedor na categoria Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social, “Gaslighting médico: entre a vida e a morte” investiga situações em que pacientes têm seus sintomas, percepções ou decisões deslegitimados durante o atendimento em saúde. A partir de uma perspectiva interdisciplinar, Victória Carneiro discute especialmente as experiências das mulheres diante das relações de poder presentes na assistência médica. A obra também aborda autonomia, direitos e instrumentos jurídicos que podem contribuir para ampliar a participação dos pacientes nas decisões relacionadas ao próprio corpo e aos cuidados de saúde.
Para Victória, o reconhecimento do livro pelo Prêmio Jabuti Acadêmico representa também um sinal de que a violência sofrida por pacientes na assistência à saúde começa a ganhar visibilidade. “Acredito que a premiação significa que estamos começando a olhar para a violência que pacientes sofrem na assistência à saúde. E ver que violência contra a mulher é muito mais do que violência doméstica e que pacientes têm direitos à voz e a serem protagonistas do próprio cuidado”, afirma.
Segundo a autora, quando começou a pesquisar o problema, ainda não havia uma denominação específica para esse tipo de violência. “Quando comecei a ler sobre esse problema não existia o termo ainda. Verifiquei que o que pacientes sofrem na atenção médica é muito semelhante à violência psicológica que sofrem em contexto doméstico”, explica. Para ela, o livro contribui para levar ao debate público uma violência que, durante muito tempo, permaneceu sem reconhecimento e visibilidade. “Espero que o livro ultrapasse o contexto acadêmico e vá para a prática clínica e para as políticas públicas”, completa.
Já “Antocianinas: explorando cores, reações químicas, estabilidade, extração, biodisponibilidade e benefícios à saúde" foi o vencedor da categoria Ciência de Alimentos e Nutrição. Escrito por Paulo Anna Bobbio e Paulo Cesar Stringheta, o livro reúne conhecimentos sobre as antocianinas, classe de compostos bioativos responsável pela coloração de diversos frutos e alimentos e estudada por suas propriedades e potenciais efeitos benéficos à saúde. A publicação apresenta uma abordagem ampla do tema, passando por conceitos relacionados às cores, estrutura química, reações, fontes, estabilidade, extração, biodisponibilidade e efeitos sobre a saúde.
A obra também carrega uma história de continuidade acadêmica. Paulo Anna Bobbio foi orientador de Paulo Cesar Stringheta e teve papel importante na trajetória do pesquisador, que há mais de 30 anos se dedica ao estudo das antocianinas. Segundo Stringheta, a publicação do livro nasceu também da insistência do antigo orientador, que, antes de falecer, cobrava que ele reunisse seu conhecimento sobre o tema em uma obra.
Professor e pesquisador da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, Stringheta decidiu há quatro anos transformar essa trajetória de estudos em livro. “Há quatro anos decidi escrever o livro com uma abordagem ampla sobre este composto bioativo”, conta. Ao longo da carreira, orientou mais de 170 teses de doutorado e dissertações de mestrado, tendo as antocianinas como tema recorrente em grande parte desses trabalhos.
Para o pesquisador, o reconhecimento no Prêmio Jabuti Acadêmico representa um marco em sua trajetória. “O prêmio para mim é um fechamento de ouro da minha trajetória como professor e pesquisador.”
A terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico recebeu 2.085 inscrições e reconheceu obras de diferentes áreas do conhecimento. Criada pela Câmara Brasileira do Livro, a premiação busca ampliar a visibilidade da produção acadêmica, científica, técnica e profissional brasileira.
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