As empresas estão jogando dinheiro fora com IA e não percebem

As empresas estão jogando dinheiro fora com IA e não percebem

Implementar Inteligência Artificial virou prioridade em boa parte das empresas brasileiras. Segundo pesquisa da Amcham Brasil com 629 executivos de médias e grandes empresas, publicada em 2025, a IA é a prioridade número um das companhias para 2026. O problema é que, para a maioria delas, a pressa está saindo caro: 61% dos líderes dizem não ter percebido impacto relevante até agora, e apenas 3% conseguiram transformar a IA em novas receitas ou vantagem competitiva real. O mesmo estudo revela que 77% das companhias ainda investem menos de 2% do orçamento em tecnologia, sinalizando que o entusiasmo não se traduz em comprometimento estrutural.

Para o estrategista de tecnologia Rafael Franco, Fundador e CEO da Joya Solutions, a adoção orientada pelo hype, sem clareza de objetivo ou alinhamento com o negócio, tem resultado em infraestruturas subutilizadas, custos de nuvem em disparada e ROI próximo de zero.

"A IA não corrige desorganização, ela amplifica o que já existe. Empresas que implementam tecnologia sem diagnóstico prévio não estão inovando — estão criando uma nova e cara camada de custo." — Rafael Franco, CEO da Joya Solutions

A ilusão da eficiência automática

O especialista define o momento atual como a fase da "ilusão da eficiência automática": organizações que acreditam que a tecnologia, por si só, resolverá problemas estruturais de gestão ou processos ineficientes.

Os dados sustentam a preocupação. Pesquisa do IT Forum revela que 79% das empresas brasileiras indicam falta de maturidade estratégica na adoção de IA. Para a Amcham Brasil, os três principais fatores que explicam por que a IA ainda não gera impacto estrutural são: falta de capacitação técnica das equipes (64%), ausência de estratégia clara de uso (52%) e baixa qualidade dos dados internos (43%).

Rafael identifica três fontes que concentram os maiores desperdícios em iniciativas de IA corporativa:

  1. Ferramentas redundantes: múltiplas soluções com funções sobrepostas sendo contratadas ao mesmo tempo.
  2. Custos de processamento invisíveis: uso inadequado de modelos de linguagem que eleva exponencialmente o consumo de nuvem sem gerar valor proporcional.
  3. Subutilização por falta de capacitação: plataformas avançadas implementadas sem treinamento ou mudança de processo, limitando qualquer potencial de ganho.

"Implementar tecnologia sem estratégia é como instalar um motor de Ferrari em um carro sem rodas. A potência existe, mas não leva a lugar nenhum." — Rafael Franco, CEO da Joya Solutions

Comece pelo problema, não pela ferramenta

Como saída para esse cenário, Rafael defende uma abordagem orientada a diagnóstico. Antes de qualquer contratação, empresas deveriam definir com precisão qual gargalo pretendem resolver e quais indicadores vão demonstrar sucesso e só então avaliar qual tecnologia faz sentido.

A lógica é respaldada pelos números: segundo estudo da SAP com a Oxford Economics, empresas brasileiras que adotam IA com foco estratégico já registram retorno médio de 16% sobre o investimento, com projeção de chegar a 31% em dois anos. O contraste com quem ainda não estruturou essa abordagem é evidente: para a Forrester, quase metade dos tomadores de decisão ainda não consegue sequer estimar o prazo de retorno dos seus investimentos em IA.

O tamanho da oportunidade e do risco

O cenário exige atenção redobrada porque o mercado não vai desacelerar. Os gastos com IA no Brasil devem ultrapassar US$ 2,4 bilhões em 2025, crescimento de 30% sobre o ano anterior (IDC/Exame). O governo federal prevê R$ 23 bilhões em investimentos no setor até 2028. E 9 milhões de empresas brasileiras, 40% do total, já utilizam IA de alguma forma.

Nesse contexto, o custo do desperdício cresce na mesma proporção que o entusiasmo.

Para Rafael, a questão não é se a empresa deve ou não adotar IA porque essa decisão já está tomada pelo mercado. A questão é se ela vai fazer isso de forma inteligente ou apenas reativa.

"A decisão não deve começar pela ferramenta disponível, mas pelo problema de negócio mensurável. IA sem métrica de impacto é apenas despesa digital." — Rafael Franco, CEO da Joya Solutions

Assinatura

Julhia Marqueti - Assessora de Imprensa

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