Brasil Enfrenta Desafio Hídrico com Perda de Mais de 7 Bilhões de M³ de Água Tratada Anualmente

Brasil Enfrenta Desafio Hídrico com Perda de Mais de 7 Bilhões de M³ de Água Tratada Anualmente

Um novo estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados, aponta que o Brasil desperdiçou cerca de 7,0 bilhões de metros cúbicos de água tratada em 2022. O volume, equivalente a mais de 7.600 piscinas olímpicas diariamente, destaca a ineficiência no controle de perdas no saneamento básico do país e seus graves impactos econômicos, sociais e ambientais. Os dados são do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, ano-base 2022) e foram apresentados no "Estudo de Perdas de Água 2024", divulgado em junho de 2024.

A ineficiência no controle de perdas significa que uma parcela considerável da água potável produzida não chega ao consumidor final, seja por vazamentos ocultos na rede de distribuição, furtos, ligações clandestinas ou erros de medição. O cenário é preocupante, pois contrasta com a realidade de mais de 32 milhões de brasileiros que ainda vivem sem acesso à água tratada. O montante de água perdida seria suficiente para abastecer 54 milhões de pessoas por um ano.

"O combate às perdas de água é um pilar fundamental para a segurança hídrica e a sustentabilidade no país. Cada metro cúbico recuperado representa não apenas economia para as companhias de saneamento, mas também a possibilidade de levar água a quem mais precisa, sem a necessidade de aumentar a captação em mananciais já sobrecarregados. É uma prioridade que exige a expertise de cada empresa de caça vazamento e o engajamento de todos os setores", afirma Felipe B. Miguel, técnico especialista na FB, empresa de caça vazamento na zona sul de São Paulo.

O estudo ressalta que as perdas de água potável no Brasil alcançaram 37,78% em 2022, um índice significativamente acima dos 15% registrados em nações desenvolvidas. Essa diferença evidencia a lacuna tecnológica e de gestão que o país precisa superar para garantir o uso mais eficiente de seus recursos hídricos.

Os prejuízos financeiros associados a essa perda são substanciais. A ausência de faturamento pela água desperdiçada representa bilhões de reais anualmente, recursos que poderiam ser reinvestidos em melhorias da infraestrutura de saneamento básico e na expansão do acesso aos serviços de caça vazamento.

Além do aspecto econômico, a ineficiência no controle de perdas de água tem um impacto ambiental relevante, pois a captação e o tratamento de volumes excessivos de água geram maior consumo de energia e maior pressão sobre os ecossistemas, contribuindo para a degradação ambiental.

O Novo Marco Legal do Saneamento estabelece a meta de universalização do acesso à água potável para 99% da população brasileira até 2033. Para alcançar esse objetivo, descobrir um vazamento de água precocemente é crucial para a redução das perdas na distribuição. O estudo sugere que a diminuição das perdas de 37,8% para 25% até 2034 resultaria em ganhos de R$ 40,9 bilhões, demonstrando o potencial econômico do investimento em eficiência.

Diante dos crescentes desafios climáticos, como secas prolongadas e eventos extremos, a redução do desperdício de água potável torna-se ainda mais urgente. A recuperação desses volumes permite uma maior resiliência hídrica e assegura a disponibilidade do recurso para as gerações futuras, independentemente das adversidades climáticas.

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Himayne Farias Bordignon

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