Com avanço da IA, empresas enfrentam limites críticos em suas infraestruturas de dados

Com avanço da IA, empresas enfrentam limites críticos em suas infraestruturas de dados

Avanço de aplicações intensivas em dados acelera demanda por ambientes de alta densidade computacional e leva empresas a rever arquitetura de data centers

O crescimento das aplicações de inteligência artificial já começa a pressionar a infraestrutura de TI nas empresas. Projetos que exigem maior capacidade de processamento, menor latência e alta densidade computacional colocam em evidência limitações que antes não apareciam em ambientes tradicionais corporativos.

Esse cenário ocorre em paralelo a uma aceleração global dos investimentos em expansão de infraestrutura. Dados da consultoria Gartner indicam que os gastos com data centers devem crescer 31,7% em 2026, impulsionados principalmente pela demanda por aplicações de alta performance de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, levantamento global do Uptime Institute aponta que o aumento da densidade computacional e do consumo energético já figura entre os principais desafios para a expansão desses ambientes.

No Brasil, esse movimento já aparece nos projetos de modernização de infraestrutura. Empresas têm revisado arquiteturas tradicionais para suportar ambientes mais distribuídos, com maior capacidade de processamento e necessidade de escalabilidade contínua.

Na prática, isso já aparece no perfil das demandas. Nos projetos acompanhados recentemente pela xFusion Brasil, cerca de 30% das iniciativas de modernização de data centers envolvem inteligência artificial, enquanto 68% dos workloads analisados apresentam características de alta densidade computacional A empresa também observa crescimento no volume de ambientes críticos, refletindo a maior complexidade da infraestrutura das operações digitais.

Para Patrícia Cocozza, gerente-geral da xFusion Brasil, a discussão sobre infraestrutura deixou de ser incremental e passou a exigir revisões mais estruturais. “Não se trata mais de ampliar capacidade. Em muitos casos, é necessário repensar a arquitetura para suportar novos padrões de processamento, que exigem alta densidade, baixa latência e maior eficiência energética”, afirma a executiva.

Infraestrutura passa a limitar a escala da IA

À medida que projetos de inteligência artificial avançam, a infraestrutura deixa de ser apenas suporte e passa a influenciar diretamente a viabilidade dessas iniciativas. Questões como consumo energético, capacidade de resfriamento com baixo consumo de água e distribuição de carga ganham relevância, especialmente em ambientes que combinam IA, analytics e aplicações críticas.

De acordo com Patrícia Cocozza, esse cenário tem levado empresas a antecipar decisões que antes eram feitas de forma gradual. “A infraestrutura precisa anteceder o crescimento da demanda das aplicações que requerem cada vez maior performance. Projetos ligados à inteligência artificial, análise de dados e automação exigem ambientes otimizados para crescimento contínuo, com estabilidade e eficiência de consumo de insumos”, afirma a executiva.

A pressão deve se intensificar nos próximos anos, à medida que a adoção de inteligência artificial cresce em diferentes setores e amplie a necessidade por ambientes capazes de sustentar cargas computacionais cada vez mais pesadas em menores espaços

Assinatura

Débora Cristhiny Rodrigues Monteiro

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