Dentista influencer e sobrinho são denunciados após complicações em procedimentos estéticos no ES

Dentista influencer e sobrinho são denunciados após complicações em procedimentos estéticos no ES

Mariana Laranja e Nathan Laranja são citados em denúncia do Ministério Público envolvendo procedimentos realizados em clínica de Vila Velha; defesa afirma que acusação ainda será discutida judicialmente

A cirurgiã-dentista e influenciadora Mariana Barros Laranja Roeder e o sobrinho Nathan Laranja Roeder Holz, também dentista, passaram a responder a uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo após pacientes relatarem graves complicações relacionadas a procedimentos estéticos realizados em Vila Velha, na Grande Vitória.

Segundo o Ministério Público, ao menos três pacientes apresentaram consequências como infecções, necroses e deformidades após atendimentos realizados na clínica ligada aos profissionais.

A Promotoria sustenta que determinados procedimentos teriam ultrapassado os limites legais da atuação odontológica e pediu à Justiça, entre outras medidas, indenizações que somam pelo menos R$ 500 mil.

A defesa de Mariana e Nathan afirma que a denúncia representa apenas uma acusação inicial, não uma condenação, e destaca que os fatos deverão ser analisados durante o processo, com direito ao contraditório e à ampla defesa.

Quem é Mariana Laranja

Mariana Laranja ganhou projeção especialmente por sua atuação nas redes sociais.

Com mais de 400 mil seguidores, a dentista passou a divulgar conteúdos relacionados à estética facial, harmonização orofacial, procedimentos, cursos e rotina profissional.

Segundo os registros mencionados no material da investigação, ela é formada em Odontologia e possui atuação profissional no Espírito Santo desde os anos 2000.

Sua presença digital também passou a incorporar elementos de lifestyle, viagens internacionais, eventos profissionais e conteúdos sobre estética.

Mariana divulgava ainda participações em congressos, cursos e atividades realizadas fora do Brasil.

Além da atuação clínica, aparece vinculada a empresas relacionadas ao setor odontológico e estético, entre elas o Instituto Mariana Laranja, em Vila Velha.

Nathan passou a atuar profissionalmente com a tia

Nathan Laranja Roeder Holz, de 25 anos, é sobrinho de Mariana e também se formou em Odontologia.

Após concluir a graduação, passou a atuar ao lado da tia e aparece em documentos como sócio e integrante da administração do Instituto Mariana Laranja.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Nathan também teria participado de procedimentos realizados na clínica.

A investigação descreve situações em que Mariana teria realizado etapas iniciais de determinados procedimentos e Nathan teria ficado responsável por suturas.

Nathan também foi indiciado pela Polícia Civil por lesão corporal culposa relacionada aos atendimentos investigados.

Procedimentos são ponto central da investigação

A atuação dos dois profissionais durante procedimentos faciais está entre os principais pontos analisados pelas autoridades.

O Ministério Público afirma que determinados procedimentos classificados como mini lifting facial teriam ultrapassado aquilo que seria permitido dentro da atuação odontológica.

A denúncia descreve intervenções realizadas em regiões da face e do pescoço e questiona aspectos relacionados à técnica utilizada, cuidados durante os procedimentos e acompanhamento posterior das pacientes.

Esses fatos, no entanto, ainda precisam ser apreciados judicialmente.

A defesa sustenta que será necessário analisar tecnicamente cada episódio, incluindo autoria, nexo causal e documentação médica.

Pacientes relataram complicações

Três casos aparecem com destaque na denúncia.

Em um deles, uma paciente teria apresentado infecção e necrose após o procedimento, necessitando de atendimento médico posterior.

Outra paciente relatou ter sofrido perda de tecido e uma lesão profunda na região da bochecha depois de passar por um procedimento estético.

No terceiro episódio, uma paciente teria apresentado abertura dos pontos nos dois lados do rosto, necessitando posteriormente de tratamento especializado.

O Ministério Público considera que as consequências relatadas justificam pedidos de reparação por danos morais e materiais.

MP pede indenizações

A Promotoria solicitou que os profissionais sejam responsabilizados pelo pagamento de pelo menos R$ 500 mil em indenizações relacionadas às três pacientes.

O valor apresentado pelo Ministério Público é um pedido e depende de decisão judicial.

Também foram requeridas outras medidas cautelares.

Entre elas estão restrições à realização de determinadas atividades estéticas e cirúrgicas e multa em caso de eventual descumprimento de decisão judicial.

O Ministério Público ainda solicitou medidas relacionadas à possibilidade de viagens dos profissionais.

Novamente, trata-se de pedidos apresentados à Justiça, e não necessariamente de determinações já impostas.

Defesa ressalta que denúncia não representa condenação

A defesa de Mariana Laranja e Nathan Laranja contestou conclusões antecipadas sobre o caso.

Os advogados destacaram que o oferecimento de uma denúncia não significa que as acusações tenham sido comprovadas.

Segundo a defesa, o processo precisa passar pela análise judicial e pela produção de provas sob contraditório.

Os advogados também afirmaram que qualquer decisão judicial eventualmente determinada será cumprida pelos profissionais.

A defesa sustenta ainda que acusações envolvendo lesões precisam ser analisadas com base em provas técnicas, perícias e documentos.

Mariana afirma responder às acusações

Mariana também se pronunciou publicamente sobre os episódios.

A dentista afirmou que existem acusações contra ela e que está respondendo individualmente aos questionamentos apresentados.

A defesa também ressaltou sua trajetória profissional, mencionando cursos, participação em congressos e atividades acadêmicas desenvolvidas ao longo dos anos.

Os advogados argumentam que a repercussão pública do caso não deve substituir a análise das provas pelo Poder Judiciário.

Atuação nas redes sociais entrou na investigação

A forte exposição de Mariana nas redes sociais também passou a ser mencionada nos documentos relacionados ao caso.

Segundo a investigação, conteúdos promocionais eram produzidos dentro do ambiente da clínica.

Em uma das situações descritas pelo Ministério Público, uma cirurgia teria sido interrompida enquanto a profissional produzia material para as redes sociais.

A Promotoria considera que determinados aspectos da rotina registrada em vídeos e publicações são relevantes para compreender como os procedimentos eram realizados.

A defesa, por sua vez, sustenta que as circunstâncias precisam ser avaliadas no contexto técnico de cada atendimento.

Conselho Regional de Odontologia analisou a atuação profissional

O caso também chegou à esfera administrativa.

O Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo decidiu pela cassação do exercício profissional de Mariana em processo ético mencionado no material.

Entretanto, segundo as informações disponíveis naquele momento, a decisão dependia da tramitação perante o Conselho Federal de Odontologia para produzir seus efeitos definitivos.

A defesa informou ter recorrido e classificou a decisão administrativa como juridicamente inadequada.

Dessa forma, a situação profissional ainda estava sujeita à análise das instâncias competentes.

Instituto também entrou no centro das apurações

O Instituto Mariana Laranja, localizado em Vila Velha, aparece como o local onde parte dos procedimentos investigados teria sido realizada.

A clínica também oferecia cursos relacionados à área estética e recebia alunos de diferentes estados.

Segundo o Ministério Público, a apuração identificou possíveis irregularidades relacionadas tanto aos procedimentos quanto às condições de funcionamento da estrutura.

Essas informações passaram a integrar a investigação conduzida pelas autoridades.

O que acontece agora

O oferecimento da denúncia representa uma etapa do processo criminal.

Cabe ao Poder Judiciário analisar a acusação e definir os próximos passos processuais.

Caso a denúncia seja recebida, os acusados poderão apresentar formalmente suas defesas, requerer provas e contestar os elementos apresentados pelo Ministério Público.

Somente após o andamento do processo será possível estabelecer eventual responsabilidade criminal.

Até uma decisão definitiva, permanecem aplicáveis os princípios constitucionais da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa.

Caso chama atenção para limites da atuação em procedimentos estéticos

Além das acusações específicas envolvendo Mariana e Nathan, o episódio também amplia o debate sobre os limites profissionais na realização de procedimentos estéticos invasivos.

O crescimento do mercado de harmonização facial e estética tornou esse tipo de discussão cada vez mais frequente entre conselhos profissionais, autoridades sanitárias e especialistas.

A definição sobre quais técnicas podem ser realizadas por diferentes categorias profissionais depende de normas específicas e de decisões das autoridades competentes.

No caso investigado no Espírito Santo, será justamente a análise técnica e jurídica dos procedimentos realizados que deverá determinar se houve ou não extrapolação dos limites profissionais.

Processo deverá definir responsabilidades

Mariana Laranja e Nathan Laranja são atualmente citados em uma acusação formal apresentada pelo Ministério Público, mas a denúncia não equivale a uma condenação.

A Promotoria sustenta que os procedimentos teriam provocado consequências graves para pacientes e pede responsabilização dos profissionais.

A defesa contesta a antecipação de qualquer conclusão e afirma que demonstrará sua versão dos fatos durante o processo.

O caso seguirá dependendo da análise da Justiça, das provas técnicas e das manifestações das partes envolvidas antes que qualquer responsabilidade definitiva possa ser estabelecida.


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