Os resultados históricos do mercado imobiliário indicam que 2026 deve reservar uma performance ainda mais promissora para o setor. O último levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta crescimento de 10,6% em lançamentos de unidades residenciais e alta de 5,4% no volume de vendas em 2025, na comparação com o ano anterior. A mesma pesquisa revela que 50% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses. Mas entre o sonho do apartamento próprio, desejo de 48% das pessoas ouvidas no levantamento, e a concretização do negócio, há obstáculos a serem transpostos pelo comprador que dependem de organização financeira.
Ao longo de 2025, segundo a CBIC, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, das quais 426.260 comercializadas. O programa Minha Casa Minha Vida se consolidou como principal motor do mercado, respondendo por 52% dos lançamentos e 49% das vendas no último trimestre. De acordo com o levantamento, no ano foram lançadas 224.842 unidades no MCMV, alta de 13,5% em comparação com 2024, e avanço de 15,9% nas vendas, que somaram 196.876 unidades.
Como contraponto ao desempenho notável do setor, José Carlos Sioto, delegado do Creci-Regional Campinas, observa que entraves para a concretização de um negócio imobiliário afetam 40% dos compradores. “Mesmo com condições para adquirir uma casa ou um apartamento, quatro em cada dez candidatos não conseguem ir adiante e aprovar um financiamento”, afirma.
Segundo Guilherme Bonini, Co-CEO da Longitude Incorporadora, são vários os fatores associados a essa realidade. Levantamento realizado pela empresa elenca as principais dificuldades. Renda declarada incompatível com os ganhos reais, movimentação de dinheiro sem comprovação de renda, atrasos frequentes no pagamento de contas básicas, dívidas no SPC/Serasa e uso excessivo do limite do cartão de crédito ou do cheque especial são alguns pontos indicados na pesquisa.
“Em muitos casos, o problema para a compra de um imóvel não é a renda do candidato”, afirma Bonini. “Grau de endividamento, prestações muito altas para honrar mensalmente, com comprometimento do salário, são alguns fatores levados em conta na aprovação de um financiamento.”
Com 13 anos de atuação no mercado, expandindo seus negócios na Capital e presente em mais de 20 cidades do interior paulista, a Longitude prevê lançar em 2026 sete residenciais e realizar três entregas de chaves. Na atuação prioritária no segmento econômico, a empresa comercializou no ano passado 2.020 unidades entre apartamentos e casas e beneficiou 6.030 pessoas.
Antes de pleitear o financiamento de um imóvel, Bonini recomenda que o consumidor planeje o orçamento familiar. “É importante criar um fluxo de caixa, listando gastos fixos e se organizando para pagar as parcelas do novo apartamento, que devem ser adequadas à renda”, diz.
Quem tem dívidas, ressalta o executivo, precisa ter foco em um planejamento que permita quitá-las, de forma a atingir um score de crédito mais favorável para o financiamento.
Para Guilherme Bonini, tão importante quanto a organização prévia para solicitar o financiamento imobiliário “é ter em mente que a partir da assinatura do contrato com a incorporadora, a quitação do imóvel passa a ser um compromisso de muitos anos, que vai exigir da família a manutenção de um orçamento saudável, com controle rigoroso de gastos. Tudo isso para que o imóvel próprio não se torne um sonho irrealizável”, conclui.
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