Gatilho Festival - Evento gratuito em BH no dia 18 de setembro

Gatilho Festival - Evento gratuito em BH no dia 18 de setembro

Construir memória coletiva sobre contranarrativa de gênero no cenário dos festivais é um dos objetivos do Gatilho Festival, que chega à segunda edição. O evento, que amplifica trabalhos de artistas LGBTQIAPN+ independentes da música de diferentes regiões do país, nesta edição exalta as vertentes periféricas do funk. A programação acontece no Afro Galpão - Pequena África, em 18/10, às 20h, com apresentações de All Ice (SP) com seu mais novo álbum “para os loucos e para os românticos”; da dupla Pamka Pauli (SP) com beats potentes de funk, jersey club e outras vertentes da música eletrônica; Dornelles (RJ), um dos funkeiros de maior projeção nacional com funk queer; Mano Feu (MG) e Marieh com o melhor do funk lésbico; Tetê (MG) travesti preta e periférica que transforma o palco em território de afirmação, desejo e resistência. Também se apresentam Tai (MG), NBaile (MG), coletivo de DJs trans e não bináries do funk e Pelas DJ (MG). O Gatilho Festival é gratuito com retirada antecipada de ingressos através do site: https://www.gatilhofestival.com.br/. Para mais informações e atualizações, acesse https://www.instagram.com/gatilhofestival/.

Idealizado por pessoas jovens e trans, o festival é uma proposta bem intencionada de marcar a paisagem cultural da cidade com a presença de artistas independentes da comunidade LGBTQIAPN+. O Gatilho Festival foi criado a partir da observação da urgência de impulsionar artistas brasileiros LGBTQIAPN+ sentida pelo produtor cultural e cantor transmasculino, Lui Rodrigues. “A ideia central e o diferencial é uma curadoria atenta. O festival busca por trabalhos de artistas interessantes e independentes com trabalhos excepcionais que mais pessoas deveriam conhecer”, explica Lui que assina a coordenação geral do projeto.

Com a edição marcada pelo funk, Lui ainda explica que o evento desafia camadas de silenciamento, sendo, por tanto, uma resposta criativa às ausências: “Colocar o funk LGBTQIAPN+ no palco é desafiar algumas camadas a mais de silêncio e fortalecer a cultura como direito humano e de livre expressão. O objetivo é o fortalecimento de uma rede de artistas que têm sido historicamente marginalizados pelos grandes circuitos culturais e pelo mercado hegemônico”.

Conheça a programação

O Artista All Ice pesquisa os ritmos afro percussivos, rap , reggae e culturas populares. Ele traz para a programação o álbum recém lançado “para os loucos e para os românticos” com “Lado A” narrando história e desilusões amorosas e o “Lado, a realidade das experiências de um corpo negro. O show terá a participação do seu DJ e Back vocal, Joseph Rodrigues. 

Tai Alves em show-performance inédito “Baile da Tai" cria uma atmosfera de baile, mas reivindicando espaços que sempre foram negados a corpos como o seu. Sua presença rompe o elitismo artístico ao legitimar a estética do funk como expressão legítima de arte, pensamento e vivência. Nascida e criada no Jardim São José, um bairro periférico de Belo Horizonte, carrega em sua arte as marcas da vivência, da ancestralidade e da potência das mulheres negras que a inspiram.

Pelas DJ é homem trans negro nascido e criado na periferia de BH, é um selecta que tem como base de suas pesquisas a musicalidade preta brasileira. Imerso desde a infância nos ritmos afro-brasileiros, ele busca novas inspirações na música negra, celebrando a diversidade da diáspora africana em suas performances. Seu trabalho é uma afirmação cultural e um legado de resistência, elevando vozes marginalizadas e celebrando a ancestralidade através da música.

PAMKA é uma dupla de rap e funk que vem marcando presença no cenário musical underground brasileiro desde 2018. Formada pelos MCs Flóki e Mlk de Mel, a dupla é responsável por sucessos como "Ventania""Banco do Gol""Volume 69""CLT""Mlk de Sorte", além de co-assinar a faixa "Fazer Fumaça" em parceria com Evehive e Zaila. Com letras que celebram corpos trans, abordam autoestima, afeto e lançam críticas afiadas ao ‘cistema’, o espetáculo também conta com a participação de um ballet, trazendo ainda mais potência visual e corporal à apresentação.

Tete Novinha do Funk, a Preferida é uma travesti preta e periférica que transforma o palco em território de afirmação, desejo e resistência. Sua performance inédita mistura o batidão do funk com coreografias sensuais e presença cênica poderosa, trazendo à cena o corpo travesti como potência artística. Mais que música, é vivência e afronta em forma de baile.

Marieh é cantora, compositora e artista visual brasileira, conhecida por sua presença marcante na cena do funk independente e por sua forte ligação com a cultura LGBTQIAP+. 

MC Mano Feu é uma artista lésbica, negra e periférica que carrega no funk sapatão sua voz de resistência e celebração. Com letras diretas, batidas envolventes e presença de palco marcante, Mano Feu transforma sua arte em espaço de orgulho, liberdade e visibilidade para a comunidade LGBTQIA+. A apresentação de MC Mano Feu no festival traz a energia do funk sapatão, unindo potência musical e representatividade. O show é uma celebração da diversidade, fortalecendo o protagonismo lésbico e promovendo um encontro vibrante entre público, música e identidade, além de reafirmar o funk como território de expressão e resistência cultural.

Dornelles é cantor e performer carioca que vem se consolidando como uma das vozes mais marcantes do funk queer contemporâneo. Em 2023, ganhou destaque nacional com o single "Putífero", em parceria com Kalef Castro e PZZS, que ultrapassou 1 milhão de streams no Spotify. Com visual marcante e letras afiadas, Dornelles propõe uma estética potente, capaz de provocar, inspirar e afirmar a diversidade da música brasileira.

NBaile é uma coletiva de DJs dedicada à celebração e exaltação da música periférica, trans, preta e LGBTQIA+ em Minas e no Brasil. Fazem parte da coletiva Djahi, Shigara e Gana que discotecam do baile funk ao pagodão, do afrobeats ao techno, exaltando a música eletrônica feita pela periferia.

Funk é arte 

Para Yunni Anumaréh, que assina a coordenação de produção, a ideia é expandir o significado do que é música boa e afirmação de uma nova cena de fazedores da cultura . “É um festival de música boa, onde a gente se reúne para ouvir uma nova cena, como por exemplo, Tetê e Tai vão lançar show de funk no Gatilho. Somos fazedores de cultura, arte e entretenimento, o festival segue afirmando nossas potências em todas as áreas, incluindo a música. Construir o festival Gatilho é demarcar nosso território na cidade diante de tantos retrocessos políticos para com a população LGBTQIAPN+, preta e indígena”.

A prisão de MC Poze do Rodo, em 2025, sob acusações de “apologia ao crime”, reacendeu o debate sobre a perseguição sistemática a expressões musicais negras e periféricas. Acadêmicos e juristas apontam que sua obra, longe de incentivar o crime, retrata realidades vividas -comportamento que jamais seria interpretado da mesma forma se idêntico fosse cantado por artistas de outras origens. Essa seletividade cultural reforça antigos padrões de racismo e controle social sobre corpos e linguagens marginalizadas. Como afirma Thiago de Souza, “Não falar de funk é não falar da realidade e funk é arte, não crime”.

Contexto dos Festivais de Música no Brasil - Em 2024, o Brasil sediou 364 festivais, segundo dados da plataforma Mapa dos Festivais. Os dados dão conta que, em relação a 2023, houve um aumento de 20% e com descentralização dos recursos e proposição de iniciativas novas. O Gatilho Festival é um projeto que propõe curadoria e giro econômico entre profissionais LGBTQIAP+ de todas as áreas.

FICHA TÉCNICA DO GATILHO FESTIVAL

Concepção e Coordenação Geral: Lui Rodrigues
Coordenação de Produção: Yunni Anumaréh
Coordenação de Comunicação: Isadora Fachardo

Coordenação Técnica: Hugo Zschaber
Assistência de Produção: João Maria, Cauã Drumond, Karoline Pilar
Cenografia: Beatriz Souza
Iluminação: Gato de Luz Iluminação
Designer: Lucas Fernandes
Filmagens: Ahzul
Fotografia: Matheus Calixto

Assessoria de Imprensa: Mariana Cordeiro 

Responsável Contábil: Isamara Pedra 

 

Serviço

Gatilho Festival

Evento gratuito

Data: 18/10/2025

Horário: às 20h

Local: Afro Galpão – Pequena África 

Endereço: Av. Dom Pedro II, 2725 - Alto Caiçaras, Belo Horizonte - MG, 30710-535

Ingressos: https://www.gatilhofestival.com.br/.

Para mais informações e atualizações: https://www.instagram.com/gatilhofestival/

Assinatura

Mariana Moreira Cordeiro

Somente para seguidores mútuos


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