INAC marca Dia Internacional de Combate à Corrupção com manifesto na USP

INAC marca Dia Internacional de Combate à Corrupção com manifesto na USP

Na última terça-feira, dia 9 de dezembro, o Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) promoveu um ato público na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em homenagem ao Dia Internacional de Combate à Corrupção. A programação contou com a leitura de um manifesto da entidade, uma mesa de debates e o lançamento de um livro que reúne 43 autores sobre o tema.

O manifesto apresentado pelo INAC chamou atenção para a necessidade de fortalecimento da ética, da democracia e da integridade pública no país. O documento fez um apelo direto a todos os Poderes e Instituições pela observância dos princípios constitucionais da separação dos poderes, da publicidade e da moralidade administrativa, priorizando sempre o interesse público.

A mesa de debates trouxe três especialistas para discutir a relação entre corrupção e desenvolvimento sustentável. Participaram Neca Setúbal, presidente do Conselho Curador da TV Cultura, Ana Elisa Bechara, diretora eleita da Faculdade de Direito da USP, e Luiza Chaer, cientista social do Instituto do Desenvolvimento Sustentável. A mediação ficou por conta de Eugênio Bucci. 

Durante o evento, foi lançado o livro "Corrupção no Brasil e no Mundo: Transparência, Política e Análises", obra coordenada por Roberto Livianu, Tereza Sadek e Rita Biason. Para o presidente do INAC e Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, Roberto Livianu, a celebração mostra a importância do engajamento coletivo no combate à corrupção. Segundo ele, a integridade é um patrimônio coletivo e somente com transparência, educação e participação social é possível construir um país mais justo, ético e democrático.

Confira abaixo a íntegra do manifesto lido no evento:

Ao completar uma década de vida, como sábia e corajosamente enalteceu Martin Luther King, não podemos em tempo algum esmorecer diante da fúria dos maus. Temos o dever de promover vigílias permanentes para impedir o silêncio dos bons, sob pena de sermos condenados a viver sob a ditadura da mão invisível da corrupção, que silenciosamente nos estapeia todos os dias.

Temos a missão de mostrar a cada um, que corrupção significa a negação da saúde pública, da educação pública, do saneamento e até da segurança alimentar para os mais vulneráveis, o que gera o aumento perverso da desigualdade. Que o tapa na cara da sociedade é, na verdade, um tapa na cara de cada um de nós.

A corrupção jamais será extinta, mas pode e deve ser controlada com a construção de uma política pública perene, independente de colorido político-partidário, que seja abraçada com transversalidade, avançando-se mais e mais nos níveis de transparência e na efetividade da Lei de Acesso à Informação, para nos proteger da mão invisível da corrupção.

O investimento maciço em educação integral, seguindo o bom exemplo sul-coreano não dispensaria a busca obstinada em revertermos os níveis inaceitáveis de impunidade com os olhos vigilantes do CNJ, pois conspiram contra a eficiência no combate à corrupção, retroalimentando permanentemente o ciclo perverso de sua sobrevivência.

A manutenção perversa da dinâmica negadora da essência republicana do "orçamento secreto" é o grande alicerce do esquema das emendas parlamentares, que nos últimos onze anos cresceram 25.100%, alcançando 50,4 bilhões, ultrapassando a dotação de 30 dos 39 ministérios. Neste período o salário-mínimo cresceu 109% e este estado de coisas afronta os princípios da separação dos poderes e da publicidade e nesta toada em 2 anos entraremos no modo colapso fiscal.

Estes desvios baseiam-se na mesquinharia política do compadrio, assim como as nomeações de esposas de governadores para se tornarem Conselheiras de Tribunais de Contas e supostamente passarem a fiscalizar os próprios maridos - exemplos do uso abusivo do poder visando o autobenefício, violações acintosas à ética e à moralidade administrativa, símbolos sórdidos da presença da mão invisível da corrupção em nossas vidas.

Neste Dia Internacional de Combate à Corrupção, precisamos de resiliência para lutar pelo fortalecimento das instituições seguindo os ensinamentos de Acemoglu bem como das conexões com a sociedade civil. Um passo necessário é a tomada consciente de decisões nas eleições gerais de 2026 para melhorar a qualidade de representação política, escolhendo representantes comprometidos com a agenda da integridade. Por outro lado, as instituições com papéis a cumprir neste âmbito precisam colaborar em busca da eficiência, além de refletirmos sobre os ajustes necessários para sairmos do círculo vicioso da impunidade.

Assinatura

Ana Magal

Somente para seguidores mútuos


Comentários

Nenhum comentário ainda.