O diagnóstico divulgado recentemente pela influenciadora Evelin Camargo trouxe visibilidade a uma condição pouco conhecida do público em geral: o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido como BIA-ALCL. Diante da repercussão do caso, a Sociedade Brasileira de Mastologia Regional São Paulo reforça que se trata de uma doença rara, de evolução lenta e que, na maioria das vezes, apresenta tratamento simples e bom prognóstico.
De acordo com o mastologista Fábio Bagnoli, presidente da SBM-SP, embora o BIA-ALCL se manifeste na mama, ele não é um câncer de mama. “Estamos falando de um linfoma, um câncer do sistema linfático, que se desenvolve geralmente na cápsula que o próprio organismo forma ao redor do implante mamário”, explica.
A principal forma de manifestação da doença é o aumento súbito do volume de uma das mamas, causado pelo acúmulo de líquido ao redor da prótese, chamado de seroma tardio. “A paciente percebe que a mama aumenta de forma abrupta, muitas vezes anos depois da cirurgia. Esse é o sinal mais comum e que sempre precisa ser investigado”, afirma Bagnoli. Outras manifestações, como endurecimento da mama, espessamento da cápsula ou nodulações, podem ocorrer, mas são menos frequentes.
Segundo o mastologista, o BIA-ALCL costuma surgir, em média, entre oito e dez anos após a colocação do implante, tanto em cirurgias estéticas quanto reconstrutivas. Há uma associação mais frequente com próteses de superfície macrotexturizada, modelos que atualmente já não são mais utilizados no mercado. “Isso é um ponto importante para tranquilizar as mulheres: estamos falando, em geral, de implantes mais antigos”, ressalta.
O tratamento, na maioria dos casos diagnosticados em fase inicial, consiste na retirada do implante e da cápsula que o envolve. “É uma doença indolente, de crescimento lento, e quando identificada precocemente tem evolução muito favorável. Em situações mais avançadas, o que é menos comum, pode haver necessidade de quimioterapia”, explica o presidente da SBM-SP.
O mastologista reforça que a ampla divulgação do tema não deve gerar medo ou decisões precipitadas. “Esse diagnóstico não é motivo para retirada preventiva da prótese em mulheres que não apresentam sintomas. O mais importante é manter o acompanhamento médico regular e estar atenta a qualquer alteração”, orienta.
Para a Sociedade Brasileira de Mastologia Regional São Paulo, a informação correta é a principal aliada da saúde. “É natural que o assunto cause preocupação, principalmente entre mulheres que têm implantes mamários. Mas é fundamental reforçar que se trata de uma condição rara, com tratamento eficaz. Diante de qualquer mudança na mama, a orientação é procurar um mastologista para avaliação adequada, com calma e sem desespero”, conclui Bagnoli.
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