Inspirado em Eduardo Marinho, espetáculo tem atuação de Lee Taylor, direção de Georgette Fadel e temporada gratuita na Funarte, com sessões especiais de bate-papo e intérprete de Libras
Em um momento em que a vida urbana parece cada vez mais atravessada pela pressa, pelo excesso e pela desconexão, o espetáculo MANIFESTO convida o público a interromper o fluxo automático do cotidiano para olhar, escutar e pensar. A montagem, inspirada na trajetória e nas ideias do artista de rua, escritor e ativista social, Eduardo Marinho, estreia temporada gratuita no Complexo Cultural Funarte, em São Paulo, com sessões de quinta a sábado, às 19h30, e domingos às 19h, de julho a agosto.
Com concepção, dramaturgia, codireção e atuação de Lee Taylor e direção de Georgette Fadel, a peça parte da experiência de um homem que decidiu romper com os códigos de uma vida marcada por privilégios e buscar outro modo de existir. A partir desse percurso, o espetáculo constrói uma reflexão sobre liberdade, desigualdade social, consumo, pertencimento e responsabilidade coletiva. “MANIFESTO é um gesto poético ao mesmo tempo radical e despretensioso que nasce da urgência de investigar sentidos profundos no âmbito do ser e do fazer em coletividade. Não se trata de dar respostas, mas de compartilhar o olhar singular de Eduardo Marinho que tensiona o óbvio, desloca percepções e nos convoca a um estado ativo de consciência”, diz Lee Taylor.
Mais do que narrar uma biografia, MANIFESTO transforma a trajetória de Eduardo Marinho em rito teatral. Em cena, suas inquietações servem como ponto de partida para discutir a relação entre indivíduo e sociedade, entre desejo e necessidade, entre o que acumulamos e o que perdemos quando deixamos de escutar nosso eu profundo e exercitar a alteridade.
Encenada em espaço aberto, em diálogo com a linguagem do teatro de rua, a montagem propõe uma experiência direta com o público em que pensamento crítico e sensibilidade caminham juntos. A peça se aproxima de temas contemporâneos sem didatismo, apostando na força da presença, da palavra e do encontro como ferramentas de provocação.
À frente da atuação e da dramaturgia, Lee Taylor reúne sua experiência como ator, diretor e pesquisador teatral. Bacharel, mestre e doutorando pela ECA/USP, integrou o CPT de Antunes Filho por quase dez anos e construiu trajetória no teatro, no cinema e na televisão. Entre seus trabalhos no audiovisual estão produções como Velho Chico, O Mecanismo, Irmandade, Onde Nascem os Fortes, Paraíso Perdido, Entre Nós e A Dona do Pedaço. Taylor também é fundador do Núcleo de Artes Cênicas (NAC), responsável pela produção da montagem, que dá continuidade à pesquisa do coletivo em torno de criações que articulam teatro, performance, pesquisa estética e documental e reflexão social.
Ao longo da temporada, a programação também prevê sessões seguidas de bate-papo com o público, com duração de até 30 minutos, ampliando o diálogo em torno das questões propostas pela montagem. Parte das apresentações contará ainda com intérprete de Libras, reforçando o compromisso com o acesso de pessoas surdas e usuárias da Língua Brasileira de Sinais à programação cultural.
A direção é assinada por Georgette Fadel, atriz e diretora formada pela ECA/USP e uma das presenças mais importantes da cena teatral brasileira contemporânea. Reconhecida por trabalhos de forte intensidade poética e política, Georgette conduz a montagem a partir de uma perspectiva que valoriza tanto a dimensão humana da trajetória retratada quanto as questões sociais que ela evoca.
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