Dr. Marcelo Müller, Veterinário especializado em atendimento domiciliar que defende um novo paradigma no Brasil: reconhecer os pets como sujeitos emocionais e integrantes afetivos da família.
Durante décadas, o cuidado com os animais de estimação foi marcado por uma abordagem técnica: alimentação balanceada, vacinação em dia e check-ups periódicos. Mas o médico-veterinário Dr. Marcelo Müller, referência em atendimento domiciliar e defensor de uma nova consciência no trato com os pets, acredita que isso já não basta. Em sua rotina profissional, ele propõe uma visão mais ampla e sensível: cães e gatos devem ser reconhecidos como seres relacionais, com necessidades emocionais tão relevantes quanto as fisiológicas.
“Se os tratamos como membros da família, precisamos cuidar deles com base em ciência, empatia e respeito às suas individualidades emocionais”, destaca o veterinário.
A senciência animal — ou seja, a capacidade dos animais de sentir dor, prazer e medo — já é reconhecida legalmente no Brasil. Contudo, Dr. Marcelo sustenta que é preciso dar um passo adiante. “Eles não apenas sentem: eles se relacionam, percebem o ambiente emocional da casa e influenciam a saúde de seus tutores. Há uma troca afetiva profunda, que precisa ser compreendida com seriedade.”
O grande diferencial de seu trabalho está na observação dos animais em seus lares. Nos atendimentos em domicílio, Dr. Marcelo consegue perceber nuances que passam despercebidas em ambientes clínicos tradicionais. Ele relata, por exemplo, que muitos sintomas físicos em cães e gatos surgem após eventos como perdas familiares, separações ou mudanças no ambiente. “Essas situações afetam diretamente o comportamento e a saúde dos pets. Eles sofrem junto com a família.”
Essa leitura está em sintonia com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), que considera o bem-estar animal em sua totalidade, incluindo aspectos emocionais, vínculos afetivos e estímulos mentais. “Um animal pode adoecer mesmo recebendo o melhor atendimento físico, se estiver emocionalmente negligenciado. A saúde é um estado integral”, afirma.
Outro ponto importante de sua atuação é a humanização dos cuidados paliativos e da eutanásia. Para Dr. Marcelo, o momento da despedida deve ser tratado com a mesma dignidade que os demais estágios da vida. “É um processo difícil, mas que pode ser vivido com amor e acolhimento. A escuta ativa e a presença do veterinário são fundamentais nesse momento.”
Além de cuidar dos pets, ele também dedica atenção especial aos tutores. “Cada família carrega histórias únicas com seus animais. O veterinário não deve apenas examinar — deve escutar com sensibilidade, sem pressa ou julgamento. Essa escuta constrói confiança e fortalece o cuidado.”
Para que esse novo olhar se torne realidade, Dr. Marcelo defende transformações profundas na formação acadêmica dos veterinários, nas leis de proteção animal e nas políticas públicas. Segundo ele, os pets já ultrapassaram o papel de companhia e se tornaram verdadeiros agentes de bem-estar humano. “Cuidar de um animal é também cuidar das relações afetivas dentro de casa. É um tema de saúde coletiva.”
Mais do que uma tendência do mercado pet, o que Dr. Marcelo propõe é uma mudança cultural e ética: reconhecer os animais como parceiros de vida, cuja saúde emocional deve ser respeitada com a mesma seriedade que qualquer outro membro da família. “Tratá-los com sensibilidade não é luxo — é um compromisso ético com o tipo de sociedade que desejamos construir.”
Instagram: @marcelomullervet
Site: marcelomullervet.com.br
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