O Fim da "Era do Clique": Por que os resultados de Marketing Digital estão despencando (e como a IA sequestrou o seu funil)
O custo por clique subiu. O tráfego qualificado derreteu. E a explicação que muitos gestores ainda evitam admitir é um fato consumado: a jornada de compra do consumidor está mudando rapidamente de endereço e o marketing tradicional não foi convidado para a inauguração.
Dados do ecossistema Google apontam que cerca de 60% de todas as buscas hoje terminam sem nenhum clique para um site de destino, e a projeção é que isso chegue a 65% em 2026, segundo a Geneo. O fenômeno, batizado de zero-click, tem uma causa direta: assistentes de inteligência artificial como ChatGPT, Perplexity e o novo motor do Google passaram a entregar respostas prontas e personalizadas antes mesmo que o usuário sinta a necessidade de visitar qualquer página. O resultado prático para as marcas é a evaporação do rastro digital que, até pouco tempo, alimentava pixels, cookies e campanhas de remarketing.
"O usuário não quer mais navegar por uma dezena de sites para comparar informações. Ele quer a solução sintetizada, organizada e pronta", afirma Thais Basem Bastos, estrategista de transformação digital e especialista em competências digitais e IA. "Para a empresa, isso significa que o cliente ficou invisível exatamente no momento em que ele mais consome informação."
A jornada que as marcas não conseguem mais ver
A mudança é estrutural. Na fase de descoberta de produtos, 35% dos consumidores já utilizam ferramentas de IA como primeiro recurso de pesquisa. Os buscadores tradicionais ficaram para trás, acionados por apenas 13,6% dos usuários nesse estágio. Na etapa de avaliação e comparação, que historicamente é o "campo de batalha" mais caro para os times de marketing, a IA lidera com 32,9% de preferência é o que afirma o Similarweb's Market Research Panel.
É nesse intervalo que se aprofunda o chamado Dark Funnel (Funil Sombrio): o consumidor pesquisa, compara e decide dentro de um ambiente fechado, sem deixar rastros nas plataformas de anúncio.
"O usuário está ativamente decidindo, mas em um ambiente criptografado pela IA. Para as ferramentas de publicidade, esse cliente não existe", explica Felipe Nasser, mestre em Neuromarketing e especialista em neurovendas. "Não há como alcançá-lo com anúncios de perseguição porque a IA resolveu a dúvida dele instantaneamente. O clique que geraria o rastreio simplesmente não acontece."
O anúncio que beneficia o concorrente
Há um paradoxo crescente: hoje, um anúncio impactante nas redes sociais pode, na prática, gerar vendas para a concorrência. Ao ser impactado por uma campanha, o usuário moderno muitas vezes não clica no link. Ele abre o ChatGPT ou o Gemini e pergunta: "A marca X é realmente boa? Quais as desvantagens em relação à marca Y?".
A IA, então, varre fóruns, portais especializados e bases de dados para entregar um veredito. Se a marca não possui o que Thais chama de "Autoridade de Entidade", o investimento em mídia paga acaba, ironicamente, educando o cliente para que ele compre do concorrente melhor avaliado pelo algoritmo.
"A decisão é tomada na fase de consulta à IA. Se a sua marca não for a recomendação nativa da máquina naquele momento, o cliente só chegará à busca tradicional para digitar o nome de quem a IA indicou", diz Thais.
O tráfego que vale mais, mesmo sendo menor
Há, porém, um dado que reequilibra a equação para quem souber se adaptar. Embora o volume de visitas aos sites tenha caído, a qualidade desse tráfego cresceu de forma expressiva. Usuários que chegam a um site após recomendação de sistemas de IA convertem a uma taxa de 14,2%, contra apenas 2,8% do tráfego orgânico tradicional, dados do protocolo técnico da IFG eCommerce. A diferença representa uma conversão até 4,4 vezes superior. Esses visitantes também permanecem 70% mais tempo nas páginas e apresentam taxas de rejeição 27% menores.
O cenário recoloca o debate do marketing digital sobre outros trilhos: não se trata mais de gerar volume, mas de garantir a presença no momento exato em que a IA formula sua recomendação.
"Não se trata mais de quantos cliques você gera, mas de ser a única resposta possível na consulta que o cliente faz à IA", resume Felipe Nasser. "O cérebro do consumidor de 2026 não quer mais escolher entre opções. Ele quer a segurança de uma recomendação validada. Se a sua marca não está na boca da IA, ela simplesmente não existe."
Nesse contexto, surge a disciplina de GEO (Generative Engine Optimization), que adapta os princípios do SEO tradicional à lógica dos modelos generativos. Para Thais Basem Bastos, a resposta para esse vácuo estratégico entre o que a máquina lê e o que o humano decide é o método CodeHack.
"Diferente das táticas de automação superficial, o CodeHack atua como uma arquitetura de percepção e um modelo de ai-first marketing, muito mais estratégico e alinhado aos objetivos de negócio", explica Thais. "Ele orquestra a autoridade da marca para que ela se torne a resposta padrão e incontestável para os algoritmos. O objetivo é alinhar estrutura de dados - AEO e GEO -, RP digital, Publicidade, Propaganda e neurociência para garantir que, no momento da consulta final do cliente à sua 'consultora pessoal' de IA, a marca não seja apenas uma opção, mas a escolha recomendada."
Para as empresas que ainda apostam na compra de cliques como estratégia central, o sinal de alerta já está aceso. A nova fronteira do marketing não será medida por cliques, mas pela capacidade de ser a voz de autoridade dentro do silêncio dos algoritmos.
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