Com juros médios de 61,5% ao ano no crédito pessoal e Selic em 15%, especialistas apontam que o problema começa muito antes da dívida aparecer.
Oito em cada dez famílias brasileiras terminaram abril de 2026 com algum tipo de dívida. Esse número, registrado pelo quarto mês consecutivo como nova máxima histórica, levanta uma questão que vai além das planilhas e taxas: o que leva a maioria das pessoas a gastar mais do que ganha, mesmo sabendo que os juros estão entre os mais altos do mundo?
O ciclo silencioso das dívidas
A taxa Selic está em 15% ao ano. o maior patamar em quase duas décadas. Os juros médios do crédito pessoal chegaram a 61,5% ao ano em março, segundo dados do Banco Central. Para efeito de comparação, o spread bancário médio global calculado pelo Banco Mundial gira em torno de 6 pontos percentuais. No Brasil, chegou a 34,6 pontos no mesmo período.
Diante desse cenário, seria razoável esperar que os brasileiros evitassem o crédito. Mas os números mostram o contrário. Segundo o Observatório Febraban, 55% dos brasileiros admitem entender pouco ou nada sobre finanças pessoais. E as famílias com renda de até três salários mínimos são as mais expostas: 83,6% estão endividadas e 38,2% têm contas em atraso.
O problema começa antes da dívida
Economistas que estudam comportamento financeiro apontam que o endividamento raramente começa por um evento isolado. Ele é quase sempre o resultado de pequenas decisões acumuladas sem um critério claro: comprar parcelado sem calcular o custo total, renovar um contrato de crédito sem ler as taxas, usar o cartão para despesas cotidianas sem acompanhar o saldo.
Esse padrão tem nome: consumo desestruturado. Ele não é exclusivo de famílias de baixa renda, está presente em todos os estratos econômicos, com efeitos proporcionalmente distintos. A diferença é que, nas faixas de renda mais baixas, a margem para erro é menor e o impacto de um mês fora do controle pode levar anos para ser revertido.
Educação financeira não é luxo
O programa federal Desenrola Famílias, anunciado em maio de 2026, estabelece que as instituições financeiras parceiras devem destinar 1% das garantias do programa para ações de educação financeira. A medida reconhece o que especialistas afirmam há anos: sem compreensão dos mecanismos financeiros, a renegociação da dívida não impede o próximo ciclo de endividamento.
Iniciativas como a da Gfi Hub, ecossistema cooperativo com mais de 100 mil clientes em mais de 400 cidades do Mercosul, colocam a educação financeira como pilar central de sua proposta, partindo do princípio de que consumo sem consciência não gera patrimônio, apenas trocas. "Decisão consciente constrói o amanhã" não é apenas uma frase; é a lógica que orienta como as pessoas são orientadas dentro do ecossistema.
O que muda com mais informação
Estudos de comportamento financeiro indicam que consumidores com acesso regular a educação financeira estruturada têm significativamente mais propensão a poupar parte da renda mensal e são mais capazes de avaliar o custo real do crédito antes de tomá-lo.
Não se trata de pregar austeridade ou abrir mão do consumo. Trata-se de entender que cada decisão financeira também é uma decisão sobre o futuro e que o endividamento crônico não é uma fatalidade, mas o resultado de padrões que podem ser alterados com estrutura e informação.
“Crescimento não acontece por acidente, acontece por método. E o primeiro passo do método é entender para onde o dinheiro está indo. — Odirlei Schuster, Presidente da Gfi Hub”
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