Projeto da Unifesp leva iniciação científica às escolas e incentiva jovens a investigar problemas de suas comunidades

Projeto da Unifesp leva iniciação científica às escolas e incentiva jovens a investigar problemas de suas comunidades

Articula Escolas reúne estudantes, professores e pesquisadores em diferentes áreas e uma das experiências monitora eventos climáticos e riscos associados no bairro Batistini, no ABC

O contato com a pesquisa científica pode começar antes mesmo da entrada na universidade. Para o ciclo 2026/2027, a Unifesp, a partir do projeto Articula Escolas, selecionou 30 estudantes do ensino médio para receber bolsas de iniciação científica, sendo 16 concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e 14 financiadas com recursos institucionais.

As bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM) têm valor mensal de R$ 300 e vigência prevista de setembro de 2026 a agosto de 2027. Além dos 30 bolsistas, outros 20 estudantes tiveram seus projetos aprovados para participação como voluntários.

O programa permite que estudantes da educação básica tenham contato com diferentes etapas da produção científica, como a formulação de perguntas, a elaboração de projetos, a observação e a experimentação, a análise de dados e a apresentação dos resultados. Na Unifesp, uma das iniciativas que contribuem para aproximar essas oportunidades das escolas é o projeto de extensão Articula Escolas.

Segundo Lucinéia Ceridorio, coordenadora do projeto, professora do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF/Unifesp) - Campus Diadema e grande articuladora da proposta “para as escolas, a parceria cria condições para que professores e estudantes participem de processos de investigação científica e conheçam mais diretamente o funcionamento de uma universidade pública”.

Da aproximação com as escolas ao desenvolvimento da pesquisa

Concebido no âmbito do Programa Articul@ções em 2016  e atualmente desenvolvido de forma autônoma no Campus Diadema, o Articula Escolas conecta pesquisadores da Unifesp às escolas da Educação Básica.  e estudantes do ensino médio para o desenvolvimento de projetos de iniciação científica.

A iniciativa organiza linhas de pesquisa da Universidade abertas à participação dos jovens e estabelece parcerias com escolas, nas quais professores atuam como coorientadores. O acompanhamento começa na aproximação dos estudantes com os temas e na escolha dos projetos, passa pela preparação da documentação para participação no PIBIC-EM e continua durante o desenvolvimento das pesquisas.

No ciclo 2025/2026, o Articula Escolas reuniu 13 linhas de pesquisa em áreas como Química, Biologia, Ciências Ambientais, Engenharia Química e Ensino de Ciências. Entre os temas estavam  jardim de polinizadores e abelhas nativas, zoologia de vertebrados,  geotecnologias e caracterização de relevo; eletroquímica aplicada à remoção de poluentes; Impressão 3D na eletroquímica, fotocatalisadores para o combate à poluição por fármacos, aproveitamento de resíduos para a produção de nano-aditivos agrícolas, ciência cidadã  e o estudo do clima na escala do bairro, análise de materiais de físico-química e nanociência aplicada a educação básica. 

A iniciativa estabeleceu parceria com nove instituições de ensino, entre escolas públicas e colégios privados de Diadema, São Bernardo do Campo e São Paulo. Ao todo, participaram 39 estudantes, dos quais 19 receberam bolsas e os demais desenvolveram suas pesquisas como voluntários.

A experiência do Articula Escolas também se tornou objeto de produção acadêmica na própria Unifesp. Em seu Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Sociais, Caroline Marques Furquim, que atuou como monitora PIBEX do projeto entre 2022 e 2025, analisou a aproximação entre universidade e escola e a dimensão formativa dessa relação. Ao relatar a participação dos jovens no Congresso Acadêmico da Unifesp, escreveu que “os estudantes da educação básica, ao exporem suas pesquisas, se reconheciam como parte de uma comunidade científica em formação”.

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