De acordo com o contador e consultor em contabilidade médica Rodrigo Leite, a diferença entre apenas cumprir obrigações fiscais e estruturar corretamente a empresa pode representar impacto direto na margem de lucro. “O que chamamos de engenharia tributária é organizar a estrutura fiscal — CNPJ, regime tributário, pró-labore e distribuição de lucros — para pagar o menor imposto possível dentro da lei, aumentar o lucro e proteger o patrimônio”, afirma.
Regime errado e pró-labore mal definido elevam carga tributária
Um dos principais pontos de atenção está na escolha do regime tributário. Médicos podem optar entre Simples Nacional (com Fator R), Lucro Presumido ou Lucro Real — e a decisão incorreta pode significar perda relevante de rentabilidade. “Muitos médicos pagam mais impostos por escolher o regime errado, geralmente por desconhecimento ou falta de orientação estratégica”, diz Leite.
Outro erro recorrente está na definição do pró-labore. “A definição errada pode fazer o médico pagar mais INSS e IR do que deveria. Existem modalidades legais que permitem recolher apenas o imposto devido.” Segundo ele, o problema é que a contabilidade tradicional, focada apenas no cálculo e entrega de guias, não necessariamente analisa a estrutura como um todo. “A contabilidade tradicional cumpre obrigações e calcula impostos. A engenharia tributária estrutura estrategicamente para pagar menos imposto dentro da lei.”
Planejamento é legal — simulação é risco
Leite afirma que a redução da carga tributária dentro da legalidade é possível, desde que haja coerência entre estrutura e operação real. “Se a estrutura é verdadeira, documentada e compatível com a atividade, é legal. Se é simulada ou criada apenas para esconder imposto, é risco.” Entre as estratégias mais utilizadas está a equiparação hospitalar, combinada com planejamento adequado de pró-labore e distribuição de lucros. Em determinados cenários, segundo o especialista, a economia pode chegar a até 54% da carga tributária.
Margem sob pressão
Com a transição para o novo modelo tributário brasileiro, a tendência é de maior controle e possível pressão sobre margens. Para Leite, a revisão da estrutura fiscal deixou de ser apenas uma otimização e passou a ser medida de proteção financeira.“Muitos médicos são excelentes tecnicamente, mas não estruturam suas empresas de forma estratégica. Em um cenário de reforma, quem não revisar sua estrutura pode comprometer a própria lucratividade sem perceber.” Para o setor, o momento é de ajuste preventivo. Em um ambiente de mudanças fiscais profundas, o planejamento deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade operacional.
Sobre Rodrigo Leite
Rodrigo Leite é contador, empresário e estrategista tributário. À frente da Direciona Contabilidade, atua assessorando empresários na organização fiscal, planejamento tributário e otimização da carga de impostos dentro da legalidade. Defende a chamada “engenharia tributária” como ferramenta de crescimento empresarial, utilizando a legislação de forma estratégica para aumentar a lucratividade, melhorar o fluxo de caixa e fortalecer a saúde financeira das empresas em cenários de mudanças fiscais.
Paula Girardi
(41) 99997-6806
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