"Ser Equiparado a um Banco é um Privilégio, e os Números Provam Nosso Valor", diz Presidente da Pagos.org.br

"Ser Equiparado a um Banco é um Privilégio, e os Números Provam Nosso Valor", diz Presidente da Pagos.org.br

A seguir, uma entrevista com Linconl Rocha, Presidente da Pagos.org.br, sobre as novas regras do Ministério da Fazenda e o impacto das fintechs no Brasil.

Em meio às recentes mudanças regulatórias que impactam diretamente o setor financeiro, especialmente as fintechs, a nova instrução normativa que equipara essas empresas aos bancos para fins de fiscalização tem gerado debates importantes. Para entender como o setor está reagindo e quais são os desdobramentos esperados, conversamos com Linconl Rocha, Presidente da Associação PAGOS de Gestão de Pagamentos Eletrônicos, entidade que atua na defesa e desenvolvimento das fintechs no Brasil. A seguir, ele compartilha sua visão sobre os impactos da medida, os desafios e as oportunidades que ela representa para o futuro da inovação financeira no país.

Na entrevista concedida por Rocha, o tom foi de firmeza e otimismo diante da nova instrução normativa que equipara fintechs aos bancos para fins de fiscalização. Longe de enxergar a medida como uma ameaça, Linconl a tratou como um avanço natural e necessário para consolidar a credibilidade do setor. Ele destacou que a maioria das fintechs sérias não apenas aceita a regulação, mas a reivindica como um selo de qualidade que fortalece a confiança dos consumidores e do mercado. 

Ao longo da conversa, Linconl reforçou que a inovação não está em operar à margem das regras, mas em usar tecnologia e cultura organizacional para entregar soluções ágeis, seguras e inclusivas, mesmo em um ambiente regulado. A entrevista também trouxe dados contundentes sobre o impacto social das fintechs, como os mais de 70 milhões de brasileiros que abriram sua primeira conta digital nos últimos anos, e defendeu que a equiparação regulatória é um passo estratégico para ampliar ainda mais o acesso ao crédito e à cidadania financeira.

P: Qual a sua avaliação sobre a nova instrução normativa que equipara as fintechs aos bancos para fins de fiscalização? O setor vê isso com preocupação?

Linconl Rocha: Pelo contrário. Vemos como um marco de maturidade e um passo natural na evolução do nosso setor. As fintechs sérias, que são a esmagadora maioria, não apenas aceitam, mas desejam um ambiente regulatório claro. Nós, na Pagos.org.br, brigamos ativamente por essa fiscalização, pois ela separa as empresas comprometidas dos maus atores e legitima um setor que já é uma realidade para milhões de brasileiros.

P: Mas essa equiparação não aumenta os custos e a burocracia, tirando a agilidade que é a marca das fintechs?

Linconl Rocha: Cumprir obrigações de compliance e segurança é um privilégio, não um fardo. É um selo de qualidade que gera confiança. A agilidade de uma fintech não está em ter menos regras, mas em nossa cultura, tecnologia e foco no cliente. Prova disso é que, mesmo em um ambiente cada vez mais regulado, o número de fintechs no Brasil cresceu mais de 20% apenas no último ano. Manteremos nosso DNA inovador, agora com uma camada extra de segurança que fortalece todo o ecossistema.

P: O governo justificou a medida como uma forma de combater o uso de contas digitais por organizações criminosas. Como o setor responde a isso?

Linconl Rocha: Apoiando a medida. A fiscalização isonômica é a melhor ferramenta para isolar quem usa a tecnologia para fins ilícitos. Não podemos permitir que a ação de uma minoria criminosa manche o trabalho de um setor que está transformando o país. As fintechs foram as maiores responsáveis pela inclusão financeira recente. Dados do Banco Central mostram que mais de 70 milhões de brasileiros abriram sua primeira conta em uma instituição de pagamento nos últimos anos. Nós tiramos essas pessoas da informalidade e lhes demos acesso à cidadania financeira. Esse é o nosso verdadeiro impacto.

P: Fala-se muito que as fintechs, no fundo, querem se tornar bancos. Essa nova regra acelera esse processo?

Linconl Rocha: Sim, e isso é excelente. A grande maioria das fintechs consolidadas quer, sim, poder operar como um banco. Isso não é sobre burocracia, mas sobre ampliar a oferta. Hoje, uma fintech não pode oferecer certas linhas de crédito ou investimentos. Ser regulado como um banco nos dá a licença para competir de igual para igual. E a competição é boa para todos: estudos mostram que a entrada de fintechs no mercado de crédito reduziu os spreads bancários em até 2 pontos percentuais, gerando economia direta para o consumidor e para as pequenas empresas.

P: Qual é a mensagem final da Pagos.org.br para o governo e para a sociedade?

Linconl Rocha: Nossa mensagem é de colaboração. Apoiamos a iniciativa e nos colocamos à disposição. Os números não mentem: as fintechs são uma força positiva para a economia, para a competição e, principalmente, para a inclusão. Esperamos que governo, autoridades e associações trabalhem juntos para garantir um sistema financeiro seguro, inovador e acessível. A regulação não é o fim da inovação; é a fundação sobre a qual construiremos o futuro dos serviços financeiros no Brasil.

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Lívia Ikeda Martins

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