Cash allowance: os riscos para o RH de substituir o carro do colaborador por dinheiro

Cash allowance: os riscos para o RH de substituir o carro do colaborador por dinheiro

São Paulo, setembro de 2025 - A necessidade de deslocamento de colaboradores evoluiu e exige uma análise mais detalhada dos processos envolvidos e as possíveis soluções. O modelo de cash allowance (ou car allowance) — em que a empresa oferece um valor em dinheiro para que o colaborador compre e administre o próprio automóvel — tem ganhado espaço como alternativa ao veículo da empresa e à terceirização de frota.

No entanto, o cash allowance embora possa parecer mais simples à primeira vista, transfere riscos significativos para a empresa, um custo mais elevado e exige um nível de controle difícil de manter. Com dinheiro em mãos, o colaborador pode adquirir o veículo que desejar ou complementar para comprar um veículo de maior valor, por exemplo. Ou escolher um carro inferior e aproveitar a diferença para fazer outras coisas. Já a terceirização de frota oferece mais segurança, previsibilidade e proteção legal, além de manter o padrão e a imagem da empresa.

 “A substituição do veículo por uma verba pecuniária transparece uma maior simplificação administrativa e o máximo de recompensa em curto prazo ao colaborador, mas esta alternativa possui consequências que precisam ser melhor avaliadas, diante dos potenciais riscos e contingências envolvidas.”, alerta o advogado Rogério Ramires, sócio do Loddi e Ramires Advogados.

Um ponto que chama a atenção relaciona-se à desvinculação do retorno dos investimentos realizados com a eventual política para retenção dos colaboradores, que por esta sistemática pode inviabilizar o reembolso, já que as empresas têm grande dificuldade em reaver o investimento em caso de desligamento.

Também é necessário avaliar as questões trabalhistas e tributárias. “Tanto o veículo caracterizado como benefício indireto, quanto a verba em dinheiro são considerados pelo fisco como salário indireto e devem ser declarados como remuneração sujeita a encargos trabalhistas por parte do empregador e por parte do colaborador - INSS, FGTS e desconto do imposto de renda na fonte”, explica o advogado.

 “Já quando o veículo é considerado ferramenta de trabalho, não se fala em benefício indireto ou remuneração. É possível diferenciar os automóveis por função, de acordo com um cardápio estabelecido previamente pelo RH”, esclarece Alexandre Mariano, CFO da X-Fleet, empresa de soluções em terceirização de frotas. Entende-se como ferramenta de trabalho, o veículo utilitário, carro usado para visitar clientes, fornecedores e prospects, participar de eventos etc.

Para os fins de semana, férias e períodos em que o colaborador não esteja em horário comercial, recomenda-se que o empregador e o usuário estipulem um contrato de locação ou comodato, para que o usuário possa justificar a manutenção do veículo em seu poder.

 

Evolução

Nos primórdios da indústria, os trabalhadores só se deslocam da residência para empresa e vice-versa. As empresas que buscavam uma diferenciação contratavam ônibus executivos.

A evolução se deu com o início de visitas rotineiras do pessoal da área comercial aos futuros clientes e depois aos próprios clientes, em uma política de fidelização. Outros departamentos aderiram, com o objetivo de promover os produtos/serviços e integração com áreas de produção, logística e TI.

Para esta nova realidade, as empresas passaram a ter frotas com veículos próprios, à disposição de mais de um usuário. Surgiram, então, novos problemas do uso compartilhado de bens: identificação das infrações de trânsito por condutor, sinistros e manutenção regular dos veículos, por exemplo. Sem contar a necessidade de uma equipe enorme para gerenciar a frota.

O passo seguinte foi a alocação de um único veículo por usuário. Apesar de um investimento maior em veículos, foram simplificados os controles dos processos administrativos. Os cálculos financeiros começaram a demonstrar que a locação era superior à frota própria.

Outra consequência natural foi a utilização do veículo exclusivo como carro benefício e, agora, a ideia de substituí-lo por um valor em dinheiro, ocasionando justamente os riscos e contingências supracitados.

 

CritérioTerceirização de FrotaCash Allowance
PadronizaçãoAltaBaixa
Controle de manutençãoCompletoBaixo (colaborador gerencia)
Gestão de riscoAltoBaixo
Custos operacionaisOtimizadosBaixo mas com riscos
Imagem corporativaModelos alinhadosSem alinhamento
Risco tributárioNenhumAlto
Satisfação do colaboradorAlta (serviços agregados)Variável (autonomia vs. custos pessoais)

Sobre a X-Fleet – Com mais de 10 anos no mercado, a X-Fleet é líder no segmento Premium Executive e referência de qualidade e de soluções de mobilidade corporativa. Localizada em São Paulo, a empresa oferece terceirização de veículos e frotas, contratos de longa duração com periodicidade determinada de acordo com a necessidade e contratos com veículo, em todo país. Informações no www.xfleet.com.br e @xfleetoficial

 

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