Com vagas esgotadas, XXIX Congresso da APROFEM encerra três dias de debates sobre os desafios da Educação contemporânea

Com vagas esgotadas, XXIX Congresso da APROFEM encerra três dias de debates sobre os desafios da Educação contemporânea

Cerca de 3 mil profissionais da Educação municipal lotaram o Espaço Unimed para participar do evento que abordou temas como inovação, saúde mental, diversidade, pensamento crítico e liderança

SÃO PAULO – Encerrou-se nesta quinta-feira (03/09), no Espaço Unimed, o XXIX Congresso da APROFEM (Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo). Sob o tema “Inteligências em diálogo: aprender em muitas vozes, comunicar e conviver em tempos complexos”, o evento reuniu cerca de 3 mil profissionais da Rede Municipal de Ensino de São Paulo em três dias de palestras, reflexões e formação continuada.

Com vagas esgotadas, o Congresso promoveu debates sobre diferentes dimensões da Educação contemporânea, passando por inovação e tecnologia, autoconhecimento, saúde mental, ancestralidade, diversidade, pensamento crítico e neuroliderança, consolidando-se como uma das edições mais bem-sucedidas e concorridas de sua história.

Ao encerrar a programação, o Presidente da APROFEM, Professor Ismael Nery Palhares Junior, expressou grande alegria e gratidão, destacando a participação dos profissionais e o trabalho coletivo envolvido na realização do evento:

"Terminar esta edição do nosso Congresso com o Espaço Unimed lotado e com debates de tamanha relevância pedagógica nos traz uma felicidade imensa. Sinto uma profunda gratidão pela presença maciça dos nossos filiados, que esgotaram as vagas imediatamente e demonstraram seu compromisso inabalável com a formação continuada e com a excelência do ensino público. Meu agradecimento especial também se estende aos brilhantes palestrantes que aceitaram nosso convite e trouxeram provocações tão necessárias para os tempos atuais. Por fim, nada disso seria possível sem a nossa dedicada equipe de colaboradores e parceiros, que trabalharam incansavelmente nos bastidores para planejar e entregar uma estrutura impecável aos nossos participantes. Este Congresso prova que a nossa categoria segue unida, forte e em constante evolução ", declarou o Professor Ismael.

 

Inovação humana, Eneagrama e saúde mental marcam o segundo dia

O segundo dia (02/09) do Congresso, começou com reflexões sobre inovação, aprendizagem e os desafios da Educação diante das transformações tecnológicas.

A primeira palestra foi conduzida pela Prof.ª Mª Débora Garofalo, sob o tema “A escola que faz: quando aprender vira ação, criação e transformação”, que destacou a importância de a escola ser um espaço de investigação, experimentação, autoria e construção coletiva. Ao abordar os desafios impostos pelas novas tecnologias, Débora ressaltou que inovar não significa apenas incorporar equipamentos ao cotidiano escolar, mas preparar educadores e estudantes para utilizá-los com propósito, criatividade e pensamento crítico.

"Na era digital, ensinar humanidade é o maior ato de inovação de um educador", afirmou Garofalo. A partir de experiências realizadas com estudantes, ela mostrou como projetos relacionados a problemas reais podem estimular o protagonismo, combater a evasão e tornar a aprendizagem mais significativa, defendendo que a tecnologia esteja a serviço das pessoas.

Na sequência, o Prof. Me. André Barreto Prudente ministrou a palestra “Eneagrama: um mapa para identificar e cuidar das necessidades na Educação”. A partir do Eneagrama, ferramenta de autoconhecimento, o professor compartilhou estratégias para reconhecer e compreender diferentes necessidades afetivas no ambiente educacional, envolvendo estudantes, famílias e profissionais da Educação. A reflexão também chamou atenção para o risco de rotular crianças e estudantes e para a importância do autoconhecimento nas relações escolares.

Encerrando as atividades da tarde de quarta-feira, a jornalista e autora Izabella Camargo conduziu a conferência “Saúde Mental e Inteligência Emocional”, abordando um assunto de extrema importância para os servidores que enfrentam diariamente situações que afetam a saúde psíquica. A partir de sua própria experiência com o burnout, a jornalista abordou os sinais de desgaste físico e emocional e a importância de reconhecê-los antes que evoluam para quadros mais graves.

“As dores são mensageiras, iniciam com sinais de cansaço, que avançam para esgotamento e podem chegar em síndrome de burnout”, afirmou Izabella. Ela chamou a atenção para sofrimentos que nem sempre são visíveis e que precisam ser reconhecidos e acolhidos. “Dor que não sangra dói em dobro”, resumiu.

 

Diversidade, senso crítico e neuroliderança encerram os debates no terceiro dia

O terceiro e último dia (03/09) do XXIX Congresso ampliou as discussões sobre diversidade, conhecimento, pensamento crítico e cuidado no ambiente escolar. Começou ampliando olhares sobre a África, sua diversidade e os saberes que atravessam gerações. Na palestra “África na Lupa do Mundo: das referências às narrativas africanas”, o Prof. Me. Luciano Lusseque Sachimbuca partiu de sua própria história e de referências do continente africano para questionar as representações que, durante muito tempo, reduziram a África à pobreza e à fome. Ao percorrer as realidades de lugares como Cairo, Addis Abeba e Luanda, o palestrante apresentou um continente plural, marcado por diferentes povos, línguas, culturas e formas de compreender o mundo. Também compartilhou memórias de sua infância em Angola e destacou a importância da oralidade, dos ensinamentos dos mais velhos e da ancestralidade na transmissão de conhecimentos. “Quando apagamos a nossa ancestralidade, apagamos a nossa história”, afirmou. A reflexão convidou os educadores a superar generalizações e reconhecer diferentes referências culturais como fontes legítimas de conhecimento. “Ouça poemas, ouça relatos, ouça histórias”, provocou Luciano, reforçando que conhecer o outro também exige disposição para escutar e compreender suas referências.

Na sequência, o Prof. João Carlos Martins apresentou a palestra “O papel do educador como agente de resistência a uma sociedade superficial”. Diante de uma realidade marcada pelo excesso de informações, pela dispersão e por relações cada vez mais atravessadas pelas telas, ele defendeu a escola como um espaço de convivência, escuta e construção de vínculos. Martins chamou atenção para o que classificou como uma “obesidade de informação” e ressaltou que o papel do educador vai além da transmissão de conteúdos: é também estimular perguntas, interpretação e pensamento crítico, ajudando os estudantes a dar sentido às informações que recebem.

Só existe processo de desenvolvimento cognitivo pela reflexão”, afirmou. Ao final, convidou os congressistas a levarem as reflexões para a prática pedagógica diária: “Talvez tenha que haver alguma ruptura para ser implementada na nossa prática”.

Encerrando o ciclo de palestras, a Prof.ª Mª Tânia Queiroz apresentou a conferência “Neuroliderança na sala de aula: da exaustão à excelência”, trazendo para o centro do debate o cuidado com quem sustenta diariamente a escola. 

A partir da imagem da escola como um ecossistema, Tânia mostrou como professores, gestores, estudantes e famílias estão interligados e como os resultados educacionais também dependem de ambientes que ofereçam apoio e segurança. A especialista explicou que o esgotamento dos profissionais não é uma falha individual, mas sim a consequência de contextos exaustivos. 

Ela detalhou como um cérebro em constante estado de alerta impacta as emoções, as relações e a própria prática profissional. Em um momento interativo, propôs um exercício de reconhecimento do próprio esforço, repetindo com a plateia: “Fiz o meu melhor hoje. Está tudo bem”. 

Tânia aproximou a neurociência do cotidiano escolar ao frisar que atenção, emoção, significado, reflexão, vínculo e afeto fazem parte da aprendizagem. “O cérebro aprende com o vínculo e com o afeto”, ressaltou. A conferência finalizou lembrando que transformar a Educação passa, obrigatoriamente, por cuidar das pessoas que fazem a escola acontecer todos os dias.

 

 

Sobre a APROFEM 

Com uma história lastreada pelos princípios de independência e apartidarismo, a APROFEM representa atualmente mais de 60 mil filiados dentre servidores da ativa, aposentados e pensionistas. Cerca de 95% desse quadro é formado por Profissionais da Educação. Fundada em 1981 na Zona Leste de São Paulo, a APROFEM, com Sede própria na região da Bela Vista, oferece aos seus filiados prestação de serviços e atendimento profissional de reconhecida qualidade. Presidida pelo Professor Ismael Nery Palhares Junior, a APROFEM coordena o Fórum das Entidades Sindicais do Município de São Paulo e, dada sua representatividade, atua numa gama de outras instâncias que lutam para melhorar a realidade e futuro dos servidores municipais da Capital.

Para conhecer melhor o trabalho da APROFEM basta acessar o website https://www.aprofem.com.br ou seguir o perfil do Instagram https://www.instagram.com/aprofem 

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Rafaela Manzo

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