Pesquisa alerta que 62,5% dos educadores na cidade de São Paulo também já enfrentaram a violência no trabalho, na escola e no entorno da escola, consigo próprios ou com algum colega
Em parceria com a USP, a APROFEM (Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo) realizou uma pesquisa intitulada "Promoção do Bem-Estar, Saúde e Qualidade de Vida no Ambiente de Trabalho: Uma Abordagem de Valorização dos Profissionais da Educação". Os dados coletados envolveram 2.582 profissionais e educadores filiados da entidade e foram analisados pela equipe do Centro de Estatística Aplicada (CEA) do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME-USP).
Os resultados são atuais, exclusivos e foram consolidados entre 2024 e 2025 em um documento completo que abordou diversos pontos. Levantaram-se números significativos referentes, por exemplo, ao adoecimento, licenças médicas, percepção do peso corporal, níveis de estresse, sintomas de ansiedade, depressão e Burnout, uso regular de medicamentos, autoavaliação do estado de saúde física e mental, alimentação diária, frequência de atividade física, momentos de lazer, qualidade do sono, acompanhamento médico, tipos de assistência médica utilizada, fatores de estresse e adoecimento, análise da segurança, situações de violência e satisfação no trabalho.
Os dados indicam que muitos não se sentem seguros no ambiente de trabalho, o que afeta negativamente a saúde física e mental dos educadores. Uma grande parte dos entrevistados relata ter sofrido situações de violência no ambiente escolar, o que pode ser um dos principais fatores que levam aos traumas e problemas de saúde mental. Os números apontam que 58,3% dos entrevistados vivenciaram violência verbal, ameaças e intimidação. Esses dados se relacionam com as porcentagens dos transtornos psicológicos, sendo 37,2% dos profissionais que sofreram ansiedade, 4,2% depressão, 35,9% experimentaram ansiedade e depressão simultaneamente, e 7,1% Burnout. Os níveis de estresse reportados também são preocupantes, com 45,3% dos profissionais relatando um nível de estresse mais alto do que o normal e 10% classificando seu estresse como altíssimo.
Os dados revelam que fatores de estresse no ambiente de trabalho são comuns entre os Profissionais da Educação, contribuindo para adoecimento e licenças médicas. A falta de valorização é o fator mais citado, indicando ausência de suporte institucional para atuar com situações desafiadoras e a falta de reconhecimento. O excesso de trabalho também é significativo, evidenciando a sobrecarga de responsabilidades, o que afeta a qualidade de vida, sendo que 48,9% relatam não ter momentos de lazer, seja por falta de oportunidades ou por fadiga. É urgente implementar políticas para reduzir o estresse e melhorar as condições de trabalho.
A pesquisa traz um grande alerta para a necessidade de iniciativas voltadas ao cuidado com a saúde física e mental no ambiente educacional, como programas de prevenção de doenças, incentivo à prática de exercícios físicos e melhorias nas condições de trabalho. Deve-se também, atentar-se à discriminação por raça, cor, etnia e gênero, que geram a violência. “É fundamental criar um ambiente escolar mais inclusivo e seguro, onde medidas preventivas e de apoio devem ser tomadas para reduzir essas ocorrências e proteger todos os Profissionais da Educação”, ressalta a Professora Margarida Prado Genofre, Vice-Presidente da APROFEM, Entidade que, além de representar esses profissionais, defende ações efetivas que colaborem com a promoção de sua saúde e bem-estar.
A pesquisa na íntegra pode ser acessada em https://repositorio.usp.br/directbitstream/d1b84c77-fe2d-4a12-b77e-b1b3197b9e24/3229667.pdf
Sobre a APROFEM
Com uma história lastreada pelos princípios de independência e apartidarismo, a APROFEM representa atualmente cerca de 60 mil filiados dentre servidores da ativa, aposentados e pensionistas. Cerca de 95% desse quadro é formado por Profissionais da Educação. Fundada em 1981 na Zona Leste de São Paulo, hoje a APROFEM tem uma sede própria na região da Bela Vista e oferece aos seus filiados prestação de serviços e atendimento profissional de reconhecida qualidade. Presidida pelo Professor Ismael Nery Palhares Junior, a APROFEM coordena o Fórum das Entidades Sindicais e participa do Sistema de Negociação Permanente com o Governo Municipal (SINP), Fórum Municipal de Educação (FME) e uma gama de outras instâncias que atuam para melhorar a realidade e futuro dos servidores da educação.
Para conhecer melhor o trabalho da APROFEM basta acessar o website https://www.aprofem.com.br ou seguir o perfil do Instagram https://www.instagram.com/aprofem
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Rafaela Manzo
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