Ensinar inglês não é o suficiente: por que as redes de ensino precisam aprender a medir o que os alunos realmente aprendem

Ensinar inglês não é o suficiente: por que as redes de ensino precisam aprender a medir o que os alunos realmente aprendem

*Por Monica Pasello 

Durante anos, o debate sobre o ensino de inglês na educação básica pública e privada girou em torno de acesso: aumentar carga horária, adotar plataformas, capacitar professores. Até funcionou para colocar o idioma na grade, mas não resolveu o problema central: a proficiência real dos alunos brasileiros segue entre as mais baixas do mundo. No EF English Proficiency Index 2025, o Brasil aparece na 75ª posição de 123 países e regiões. Isso nos mostra que apenas ensinar não é suficiente. Precisamos saber como medir. 

Diante disso, o Plano Nacional de Educação 2026-2036, sancionado em abril deste ano, muda a régua. Pela primeira vez, o PNE tem metas focadas em "padrões de qualidade na educação básica" e "níveis adequados de aprendizagem", com monitoramento a cada dois anos. A partir disso, entendemos que redes estaduais e municipais terão que provar essa evolução de aprendizagem, e isso inclui idiomas como o inglês. Sem uma mensuração confiável, não há como cumprir meta de qualidade. 

Nota na prova não é proficiência 

O modelo tradicional de avaliação escolar mede conteúdo a cada bimestre. Uma prova sobre o verbo to be, interpretação de texto controlado, listening com áudio lento. O aluno passa, mas trava na primeira entrevista de emprego em inglês que fizer. Isso acontece porque certificação de proficiência mede a capacidade de usar o idioma para estudar, trabalhar e se comunicar em contextos reais, o que difere bastante do que vemos em instituições de ensino atualmente.  

Dito isso, quantos alunos realmente falam inglês? O Governo do Paraná, por exemplo, implementou em março o programa Paraná Global com a aplicação de testes internacionais de proficiência em língua inglesa aplicada ao mundo do trabalho, especialmente em áreas como tecnologia, inovação e economia digital. A primeira fase será a realização de uma testagem diagnóstica em larga escala, com foco nos alunos do 2º ano do ensino médio. A previsão é que 100 mil alunos sejam testados ao longo até o fim do ano para definir o mapeamento. 

Com base nesse cenário, as redes de ensino precisam responder três perguntas: 

  1. O que é “nível adequado de aprendizagem” em inglês? - O PNE cobra, mas não define. Cabe às redes adotarem um padrão. 
  2. Como medir sem aplicar provão? - Com avaliações de proficiência, a ideia é que essa medição ocorra de maneira diagnóstica, formativa e somativa, integrada à rotina.  
  3. Qual sistema utilizarei para auditar os monitoramentos? - Metas do PNE preveem monitoramento bianual. Isso exige sistemas auditáveis, com validade e confiabilidade técnica, o que é regra no mercado de certificação, mas ainda raro nas redes de ensino. 

É preciso refletir: redes de ensino que continuarem medindo apenas presença e nota no bimestre vão cumprir protocolo, mas não meta. Medir proficiência com padrão internacional, de forma contínua e auditável, se tornou um pré-requisito para gestão pública e para que, lá na frente, esse aluno tenha chances em um processo seletivo onde o inglês seja pré-requisito. 

Quem entender isso primeiro não só atenderá a lei, mas formará alunos que, de fato, usarão o inglês para acessar universidade, emprego e o mundo. E é para isso que a escola e as políticas públicas existem. 

* Monica Pasello é CEO da TOEIC Brasil. 

Assinatura

Janaina Leme

Somente para seguidores mútuos


Repostar 0

Comentários

Nenhum comentário ainda.