Estudante da Unifesp vence prêmio do TCE-SP com solução para acessibilidade no transporte público

Estudante da Unifesp vence prêmio do TCE-SP com solução para acessibilidade no transporte público

Estudo propõe sistema que ajuda pessoas com deficiência a identificar rotas mais adequadas no transporte metropolitano

Um problema comum para pessoas com deficiência no transporte público foi o ponto de partida de uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): embora a gratuidade esteja garantida por lei, nem sempre o serviço disponível atende, na prática, às necessidades desses usuários.

A partir dessa lacuna, o discente do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp), Campus São José dos Campos, Felipe Bugarin Guerra desenvolveu uma alternativa na sua dissertação que acaba de ganhar destaque com a premiação. O trabalho recebeu o Prêmio Sebastião Nogueira de Lima 2025 no  III Concurso de Monografias do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP).

Intitulado “Desenvolvimento de um Sistema Web para Melhorar a Adequação do Transporte Público Metropolitano para Pessoas com Deficiência”, o estudo propõe uma solução direta para um desafio cotidiano: a falta de informação sobre acessibilidade nas rotas, nos horários e nos próprios veículos. Hoje, muitos usuários ainda precisam descobrir, na prática, quais trajetos realmente funcionam para suas necessidades.

“A ideia surgiu ao perceber que, apesar de existirem garantias legais, o acesso real ao transporte ainda é cheio de incertezas para pessoas com deficiência. Falta informação clara para que essas pessoas consigam planejar seus deslocamentos com segurança”, explica Felipe Bugarin Guerra.

A proposta desenvolvida na Unifesp foi criar um sistema web capaz de aproximar essas duas pontas: de um lado, as demandas específicas das pessoas com deficiência; de outro, a oferta real do transporte público. A ferramenta indica caminhos mais adequados, reúne informações sobre o nível de acessibilidade dos veículos e organiza dados que podem apoiar o planejamento e a gestão do serviço.

“O objetivo foi justamente reduzir essa distância entre o que o sistema oferece e o que o usuário realmente precisa no dia a dia. Quando a informação é acessível, a mobilidade também passa a ser”, afirma o pesquisador.

O projeto foi construído a partir de dados da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, em parceria com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), e contou com o apoio de estudantes de graduação que atuam no programa de extensão CodeLab-Unifesp. O modelo também passou por validação com profissionais da própria EMTU, com aprovação integral na avaliação técnica.

Após a defesa da dissertação, a EMTU foi extinta, e suas atribuições passaram a ser incorporadas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que atualmente é responsável pela regulação e fiscalização desses serviços.

A dissertação foi orientada pelos professores Denise Stringhini (ICT/Unifesp) e Tiago Oliveira (ICT/Unifesp) e reforça o potencial da universidade em desenvolver soluções aplicadas a problemas reais, especialmente em áreas que envolvem mobilidade, inclusão e uso de dados.

Apesar do reconhecimento, a ferramenta ainda não está disponível ao público. O sistema segue em fase final de desenvolvimento, com previsão de testes restritos e, posteriormente, uma versão beta aberta. 

Assinatura

AIs Comunicação e Estratégia

Somente para seguidores mútuos


Repostar 0

Comentários

Nenhum comentário ainda.