
*Por Sonia de Almeida
A tecnologia move o mundo, mas quem move a tecnologia? Por décadas, a resposta automática orbitava em torno de figuras masculinas em salas de desenvolvimento isoladas. Essa narrativa, porém, ignora uma força que está reconstruindo as fundações do setor: as mulheres. Longe de serem somente usuárias de sistemas, as mulheres líderes, professoras e mentoras estão usando a educação como ferramenta política e econômica para moldar o futuro da inovação.
De acordo com o estudo nacional W-Tech do Observatório Softex, de 2025, as mulheres representam hoje apenas 17,8% das pessoas que concluem cursos de TI no Brasil. Isso porque os líderes nesse setor são, majoritariamente, homens. Quando uma jovem estudante entra em uma sala de aula de computação ou em um laboratório de robótica e encontra uma mulher no comando, o horizonte de possibilidades se expande imediatamente.
A presença feminina no topo da transmissão de conhecimento desmistifica a falsa ideia de que as ciências exatas são um clube exclusivo. Além das linguagens de programação, mentoras e professoras validam a existência e a capacidade de suas alunas em um ecossistema historicamente hostil. Elas servem como pontes vivas entre o sonho e a carreira realizável.
Vale destacar, inclusive, que a educação moldada por perspectivas plurais gera produtos e serviços melhores. Quando mulheres lideram a formação dos novos talentos tech, o viés de gênero nos códigos começa a ser combatido na raiz, criando algoritmos de inteligência artificial, aplicativos e sistemas de segurança digital mais inclusivos, seguros, éticos e verdadeiramente universais.
Além disso, equipes plurais desafiam o status quo, evitam o pensamento de manada e encontram caminhos criativos que grupos uniformes simplesmente não conseguem enxergar.
A liderança feminina na educação tecnológica é o motor central da evolução digital. Apoiar, financiar e visibilizar mulheres que educam significa garantir que o futuro da tecnologia seja desenhado por mãos diversas. A próxima grande revolução tecnológica nascerá de linhas de código inovadoras, salas de aula e mentorias diversas.
*Sonia de Almeida, Diretora Executiva da Afesu.
Sobre a Afesu
Fundada em 1963, a Afesu (Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários) é uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social de meninas e mulheres por meio da educação. Com cursos 100% gratuitos, voltados para beneficiárias de 7 a 25 anos, a instituição oferece formação integral, apoio escolar, qualificação profissional e desenvolvimento socioemocional e atua sempre sem conjunto a família da aluna. Com unidades em regiões vulneráveis nas cidades de São Paulo — Jardim Taboão, Vila Missionária e Cotia —, a instituição já atendeu mais de 15 mil beneficiárias, impactando direta e indiretamente cerca de 60 mil pessoas.
A Afesu mantém uma sólida rede de parcerias com mais de 50 empresas e instituições — como WEG, Porto, Craft, Schneider Electric, Instituto Ambikira — que colaboram para a formação humana e iniciação profissional das beneficiárias. A organização também já recebeu diversos reconhecimentos por seu impacto social e por sua contribuição à educação de qualidade e equitativa no Brasil.
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