Novo padrão regulatório internacional coloca operações brasileiras na mira de mais de 100 países

Novo padrão regulatório internacional coloca operações brasileiras na mira de mais de 100 países

Entre os maiores mercados digitais do mundo, o Brasil enfrenta pressão externa, integra a principal rede de fiscalização global e tem prazo curto para se preparar.

O estoque de investimentos brasileiros no exterior alcançou US$ 491,4 bilhões em 2023, segundo o último dado consolidado do Banco Central, em um momento em que a Receita Federal amplia a visibilidade sobre ativos mantidos fora do país. Somente a stablecoin Tether (USDT) movimentou mais de R$ 271 bilhões entre 2019 e 2023, de acordo com a Receita Federal, volume que, diante das novas normas, passa a ter efeito direto sobre risco, governança e exposição internacional das empresas.

A expansão do mercado de cripto no Brasil tem sido significativa, com o país ocupando a 5ª posição no Global Crypto Adoption Index da Chainalysis, um indicador de que a participação brasileira não se limita ao consumo marginal, mas representa um dos mercados mais ativos do mundo, com impacto direto sobre patrimônio, compliance, risco fiscal e governança. Dados da Receita Federal mostram que operações com criptoativos movimentaram R$ 227 bilhões só no primeiro semestre de 2025, reforçando a relevância econômica deste mercado e a necessidade de estruturas mais robustas de reporte e conformidade, gerando maior pressão regulatória.

Agora, a urgência do tema ganhou novo contorno com a publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.291, no último mês, que formalizou a entrada do Brasil no Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), padrão da OCDE para troca automática de informações sobre criptoativos. A adesão integra imediatamente operações de brasileiros a uma rede com mais de 100 jurisdições — como Suíça, Luxemburgo, Ilhas Cayman, Cingapura, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido — que passam a compartilhar dados sobre contas, carteiras digitais e estruturas offshore. A norma prevê implementação até o fim do primeiro semestre de 2026, reduzindo de forma significativa o prazo de adaptação das empresas ao novo ambiente global de rastreabilidade.

Para Giselle Amorim, CEO da Amorim Global, o impacto não se limita ao campo fiscal. “O CARF elimina a assimetria de informação que antes permitia tratar estruturas internacionais como temas isolados. Agora, uma inconsistência declarada em um país pode ser identificada por dezenas de outros. Isso muda a natureza do risco: deixa de ser tributário e passa a envolver governança e posicionamento global.”

Segundo a advogada, o desafio imediato é compreender as implicações da mudança. “As estruturas atuais foram concebidas antes do CRS e do CARF, quando a troca automática de dados não existia. Hoje, esse descompasso pode gerar ruídos em auditorias, processos de M&A, relação com fundos internacionais e avaliações de crédito.”

A especialista destaca também o fator tempo. “Investidores e instituições financeiras já operam sob padrões elevados de verificação. Qualquer desalinhamento entre o que é declarado no Brasil e o que é reportado internacionalmente se torna um alerta imediato. O prazo é curto: até julho de 2026, quando a implementação se consolida, as empresas precisam estar preparadas para esse novo ecossistema.”

Giselle Amorim afirma ainda que o novo conjunto de normas de transparência fiscal internacional inaugura um patamar inédito de governança para grupos brasileiros com presença no exterior. “O debate não deve se limitar às autuações, embora o risco fiscal seja importante conforme previsto nas normas; mas o foco de análise deve envolver os efeitos estruturais dessas mudanças. Consistência, previsibilidade e transparência já não são diferenciais no mercado global — são pré-requisitos competitivos. Nesse contexto, estratégia, planejamento e suporte técnico deixam de ser acessórios e passam a compor os ativos que sustentam operações internacionais consistentes.”

No pano de fundo desse movimento está um ambiente macroeconômico internacional, sujeito a ajustes de política monetária que afetam diretamente o fluxo internacional de capital. A reunião do Federal Reserve, neste dia 10 de dezembro, será apenas um dos sinais observados pelos mercados, qualquer indicação sobre juros tende a influenciar o apetite por ativos de risco e reorganizar expectativas para 2026. A reflexão que fica não é apenas o evento em si, mas a tendência: um mercado cada vez mais integrado, sensível a decisões externas e que exige das empresas brasileiras maturidade estratégica para operar em um ecossistema de transparência ampliada e competição global.

Sobre a Amorim Global

Fundada pela advogada e pesquisadora em Direito Internacional Giselle Amorim, a Amorim Global é uma consultoria jurídica internacional especializada em Direito Internacional, com sedes em São Paulo e Salvador. Atua assessorando pessoas, famílias e empresas em suas demandas internacionais — da imigração, investimentos e gestão patrimonial à constituição e expansão de negócios no exterior.

Com mais de 2.000 clientes atendidos em mais de 40 países, a Amorim Global possui uma rede global de parceiros para oferecer soluções completas nos cinco continentes, unindo técnica jurídica, visão estratégica e sensibilidade intercultural.

Reconhecida por sua abordagem inovadora, a consultoria repensa o acesso ao Direito Internacional, tornando-o mais acessível, eficiente e conectado às novas dinâmicas globais. Seu propósito é democratizar o acesso ao internacional e transformar ideias e projetos de vida em oportunidades reais, com segurança e visão verdadeiramente sem fronteiras.

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