Os impactos dos hábitos em nossas vidas

Os impactos dos hábitos em nossas vidas

Os hábitos têm um enorme impacto na nossa saúde, na produtividade, estabilidade financeira e acredite, na felicidade. A maioria das escolhas que fazemos a cada dia pode parecer fruto de decisões tomadas, porém não são, elas são hábitos. Um artigo publicado por um pesquisador da Duke University relata que mais de 40% das ações que as pessoas realizam todos os dias não são a partir de decisões tomadas, mas sim de hábitos que possuímos em nosso cotidiano. Segundo Wendy Wood autora do livro Bons Hábitos, Maus Hábitos - Um método cientifico para promover mudanças positivas e duradouras… “43% das nossas ações não são escolhas conscientes. Fazemos automaticamente, por hábito. É assim que respondemos às pessoas ao nosso redor, decidimos o que comprar, quando e como nos exercitar, comer ou beber”.

Hábitos são comportamentos que incorporamos através de aprendizagem e rotina, e, se tornam tão automáticos que acabamos deixando de nos dar conta dos motivos. Os hábitos surgem porque nosso cérebro está a todo momento procurando uma maneira de "poupar esforços", deixando nosso "piloto automático" tomar controle da situação. O problema maior ocorre quando temos comportamentos que nos prejudicam, impedindo de crescer ou ter sucesso, e é aí que mora o perigo. Ao incorporarmos um hábito que nos prejudica, acabamos por repeti-lo e deixamos o mesmo comandar parte de nossas vidas. “Da mesma forma, uma ligeira mudança em seus hábitos diários pode direcionar sua vida para um destino muito diferente. Fazer uma escolha que seja 1% melhor ou pior parece insignificante no momento, mas, ao longo dos momentos que compõem a vida toda, essas escolhas determinam a diferença entre quem você é e quem poderia ser. O sucesso é resultado de hábitos diários - não transformações únicas na vida”. James Clear em seu livro Hábitos Atômicos - Um método fácil e comprovado de criar bons hábitos e se livrar dos maus.

Praticamente a maioria das pessoas possui alguns hábitos que gostariam de mudar. Deixar a preguiça de lado e ir à academia, parar de comer bobagens, preocupar-se menos, largar o celular, além de tantos outros, porém, mudar o menor e mais simples dos hábitos não é tão fácil, é um grande desafio, principalmente se não tivermos um propósito maior que nos impulsione para novos comportamentos e consequentemente para novos hábitos mais saudáveis. Numa entrevista sobre o livro O Poder do Hábito, Charles Duhigg relata: "Nos últimos 15 anos, aprendemos muito sobre o funcionamento dos hábitos e como mudá-los. Os cientistas explicaram que todo hábito se compõe de deixa, rotina e recompensa. A deixa é o gatilho que diz ao cérebro para entrar no modo automático e usar este ou aquele hábito. Depois há a rotina, o comportamento propriamente dito, que pode ser físico, mental ou emocional. Por fim, vem a recompensa, que ajuda o cérebro a perceber se valerá a pena recordar esse hábito específico no futuro."

Todavia, fomos afetados por adversidades externas nos últimos anos que conseguiram gerar algumas mudanças de comportamentos e que se transformaram consequentemente em novos hábitos. Isto repercute até hoje na forma de trabalhar e na forma de consumo das pessoas. Esses novos hábitos incorporados, saudáveis ou não, afetaram também todo um ecossistema ao redor, atingindo vários setores da economia como comércio, imobiliário, aviação, serviços, transportes, mercado financeiro entre outros. Ou seja, a força da mudança do hábito, mesmo afetada e ocorrida inicialmente por uma variável externa, tem também um poder transformador, e às vezes avassalador. Vale também refletir, se alguns hábitos incorporados nos períodos anteriores foram e são saudáveis, devem e/ou precisam continuar nesse novo normal que está constantemente em mudança, principalmente agora com o advento mais forte da transformação e aceleração da IA e que geram novos comportamentos, e que consequentemente geram novos hábitos. 

Neste momento, talvez seja a hora de parar e analisar de que forma estamos sendo conduzidos por alguns de nossos hábitos. Como podemos simplesmente substituir o prazer que temos de um hábito não saudável por outro saudável que gradativamente nos satisfaça. O importante é encontrar a "deixa" que provoca a atividade ou o comportamento não saudável e dar um jeito de associar esta mesma "deixa" a algo saudável. Por exemplo: se ao chegar da academia à noite, após o trabalho o faz consequentemente pegar o celular e entrar na internet e em redes sociais, use-o como deixa para ler um capítulo de um livro. A princípio, será difícil vencer a vontade de se conectar e de estar no instagram por exemplo, mas a cada vez que você executar o novo comportamento, você fortalecerá o vínculo da mudança. E conforme finaliza o livro O Poder do Hábito - Por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios, Charles Duhigg comenta… “Obviamente, alguns hábitos podem ser mais difíceis de mudar, às vezes exige uma série de experimentos e fracassos. Mas, uma vez que você entende como um hábito funciona - que diagnostica a deixa, a rotina e a recompensa, você ganha poder sobre ele”. Ou seja, a decisão de uma escolha saudável, de uma hábito saudável, ainda é sua.

 

Tibério César Sousa é Mentor de Líderes com especialização na área comercial, com mais de 26 anos de experiência liderando executivos em nível Brasil. Tendo mais de 2.400h de condução de Mentoria Individual com executivos em todo país. Conselheiro de Governança Corporativa, formado pelo CELINT e IBGC - Practitioner em PNL e é co-fundador do ecossitema Lidera.AI - podcast semanal.

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