Evento contou com palestras de especialistas renomados e reuniu 3 mil Profissionais da Educação no Espaço Unimed, em São Paulo
Terminou ontem um dos eventos mais importantes do ano da APROFEM, o Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo: seu XXVIII CONGRESSO anual. Com o tema: “Educação na essência: sua importância no desenvolvimento dos processos de pensamento, emocionais e de aprendizagem”, o Congresso trouxe especialistas renomados para o palco do Espaço Unimed, onde cerca de 3 mil Profissionais da Educação, filiados da entidade, puderam assistir gratuitamente palestras e debates sobre temas atuais como a adultização das crianças, o excesso de informação e acesso às telas, a saúde mental dos professores e alunos, além da perda do sentido do que importa numa sociedade focada na performance, que privilegia o ter em vez do sentir. Todos os palestrantes foram enfáticos ao destacar o fundamental papel dos educadores na formação de uma nova sociedade, capaz de confrontar todos esses problemas e permitir florescer novos indivíduos em um mundo tão plural.
O Professor Ismael Nery Palhares Jr., presidente da APROFEM, recebeu todos os convidados sempre reforçando a importância dos Profissionais da Educação nessa construção. “A Educação, em sua essência, possibilita criar ambientes de aprendizagem significativos e transformadores, valorizando a complexidade do ser humano por meio de um olhar amoroso, sua família de origem e isso também inclui o respeito pelo destino da família toda.”, reflete. “O futuro é agora, onde o indivíduo se transforma. Educar é um desafio constante e maravilhoso”, finaliza. O Presidente reforçou que este Congresso foi um encontro de ideias, de experiências e de reflexões, onde pudemos juntos despertar para nossa importância e valor diante da vida de cada ser, a partir de cada um de nós.
Ainda no primeiro dia o escritor e Professor Fabrício Carpinejar protagonizou uma palestra impactante sobre a importância da empatia e de como é necessário não deixar ninguém invisível ao nosso lado, frase que também deu nome à palestra. Carpinejar fez os participantes refletirem sobre a vocação docente, perguntando: “O que é vocação?”, e se emocionou ao narrar experiências pessoais. O psicólogo e escritor Rossandro Klinjey deu continuidade à programação com uma palestra repleta de provocações atuais intitulada “Como educar uma geração que não acredita na educação?”. Destacou os desafios da sociedade contemporânea e alertou para os efeitos do uso excessivo das redes sociais na crise das relações. Rossandro afirmou que “ter disciplina é ter liberdade”, lembrando que a Educação é a base dessa autonomia. Ao falar dos desafios geracionais, pontuou que “Educação não é só conhecimento” e alertou: “Toda criança adultizada é uma criança perdida.” Por último a Profª Dra. Antônia Quintão Cezerilo destacou a pluralidade e a diversidade como bases estruturantes da educação. Ressaltou a importância das leis que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, defendendo formação adequada de professores e materiais pedagógicos mais inclusivos. A professora também chamou atenção para outras formas de diversidade presentes na escola, como de gênero, cultural, linguística, regional, familiar e de pessoas com deficiência, reforçando que todas precisam ser acolhidas em um ambiente escolar de diálogo, respeito e escuta.
No segundo dia o professor René Schubert deu início à sua palestra “Educar e Inspirar nos dias atuais: desafios e possibilidades” propondo uma conversa sobre raízes, valores e conexões humanas. Em sua fala, trouxe críticas ao consumismo, à medicalização da infância e à adultização precoce, reforçando a importância de preservar o lúdico e de compreender os jovens na era digital. Trouxe ainda conversas sobre saúde mental, adolescência e violência nas escolas, ressaltando que todos os agentes educacionais devem ser protagonistas de uma educação humanizada. Logo depois, o Professor Mateus de Souza Santos abordou o tema das raízes invisíveis, relacionando mente e natureza como uma unidade indissociável. Ele destacou a importância dos “imprints”, marcas precoces que moldam comportamento, emoções e formas de ver o mundo, além de trazer reflexões sobre epigenética, neurociência, afeto e visão sistêmica na educação. A última palestra do dia foi do professor Marcelo Cunha Bueno, com o tema “Em busca da infância perdida”. Ele convidou os educadores a pensar sobre a sensibilidade na busca pelas descobertas do mundo. “A criança busca a referência além das palavras; os educadores não ensinam o que sabem, mas sim o que eles são”. O Professor destacou que, em um mundo extremamente tecnológico, o que vai resgatar a essência da educação é a humanidade.
O terceiro e último dia começou com a palestra do Professor Jean Sigel, com o tema “Reimaginando a Educação”. Ele começa com a provocação “Quem é você na essência? O que te faz único? O que faz seus alunos serem únicos” e fala sobre a importância de usar a inovação e a criatividade em sala de aula, como ferramenta para florescimento dos alunos. Afirmou, ainda, que “a principal inteligência não é a artificial; a principal inteligência é e sempre será a humana”. Na sequência o Dr. Cristiano Nabuco falou sobre “Uso abusivo das telas digitais: um novo problema da contemporaneidade?”. A palestra trouxe dados e elementos alertando-nos sobre como a tecnologia se tornou presente em nossas vidas, de um modo perigoso e irreversível. Falou sobre o celular como método de distração, favorecendo o acesso precoce à tecnologia. "Quase 70% das pessoas do mundo possuem aparelhos celulares; em comparação, o índice de acesso de saneamento básico mundial é bem menor". Alguns dos problemas que ele menciona como resultado desse acesso são os impactos na saúde física (problemas de sono, sistema linfático, liberação de hormônios, sonhos), radiação causada pela temperatura do aparelho, impacto na memória recente e saúde mental. Ele termina com uma reflexão importante que afirma que a tecnologia nunca vai substituir o amor. “Nós precisamos construir um mundo com mais sentir e mais significado. Precisamos construir um mundo que seja resistência a essa dura realidade que temos visto. Você deixaria o seu filho na porta de casa conversando com todo mundo? Então por que você dá a ele um celular?”. Por último a Dra. Luciana Asper Y Valdés proferiu a palestra “A Educação para integridade como alicerce urgente e estruturante para a restauração do ser humano e da nação”. No cerne de sua palestra estava a compreensão de que, diante dos desafios trazidos pela era digital e pelas inteligências artificiais, a integridade se consolida como eixo estruturante na construção de cidadãos virtuosos, com força de caráter, conscientes e comprometidos com o bem comum.
Sobre a APROFEM
Com uma história lastreada pelos princípios de independência e apartidarismo, a APROFEM representa atualmente mais de 60 mil filiados dentre servidores da ativa, aposentados e pensionistas. Cerca de 95% desse quadro é formado por Profissionais da Educação. Fundada em 1981 na Zona Leste de São Paulo, hoje a APROFEM tem uma sede própria na região da Bela Vista e oferece aos seus filiados prestação de serviços e atendimento profissional de reconhecida qualidade. Presidida pelo Professor Ismael Nery Palhares Junior, a APROFEM coordena o Fórum das Entidades Sindicais do Município de São Paulo e, dada sua representatividade, atua numa gama de outras instâncias que lutam para melhorar a realidade e futuro dos servidores da educação.
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