Nova geração de investidores brasileiros busca renda em dólar e imóveis estratégicos na Flórida

Nova geração de investidores brasileiros busca renda em dólar e imóveis estratégicos na Flórida

O perfil do investidor brasileiro no mercado imobiliário americano mudou significativamente nos últimos anos. Se antes muitos compradores buscavam imóveis na Flórida apenas por desejo pessoal, férias ou uso familiar, hoje cresce o número de interessados em construir renda em dólar, diversificar patrimônio internacionalmente e investir em ativos imobiliários com foco em ROI (retorno sobre investimento).

Segundo Gisele Kolbrich, fundadora da Top Florida Homes e da Top Florida Developments, a nova geração de investidores passou a analisar imóveis nos Estados Unidos de forma muito mais estratégica. “Hoje o comprador brasileiro está mais sofisticado. Existe uma diferença muito grande entre o imóvel emocional — comprado apenas pelo desejo de uso pessoal — e o imóvel estratégico, pensado para valorização, fluxo de caixa, liquidez e geração de renda em dólar”, afirma.

Dados recentes da National Association of Realtors (NAR) mostram que investidores internacionais adquiriram mais de US$ 56 bilhões em imóveis residenciais nos Estados Unidos entre abril de 2024 e março de 2025, crescimento superior a 33% em relação ao período anterior. A Flórida permaneceu como o principal destino desses compradores, concentrando 21% das aquisições internacionais realizadas no país.

Além da valorização imobiliária histórica da Flórida, outro fator vem impulsionando o interesse estrangeiro: o crescimento da demanda por imóveis voltados para famílias multigeracionais, como apontado pelo relatório da National Association of Home Builders (NAHB). Imóveis adaptados para convivência entre diferentes gerações têm ganhado destaque especialmente em estados como a Flórida.

Um dos maiores exemplos dessa tendência é o aumento da procura por residências multifamiliares — do inglês, “multifamily”, empreendimentos onde as unidades pertencem a um único proprietário, como uma empresa, fundo de investimento ou incorporadora, e são destinadas para locação. Há ainda o modelo de casas com suítes privativas com entrada independente, espaços onde pessoas podem viver com maior autonomia, ainda que estejam integradas à casa principal.

“Esses tipos de propriedade podem ser vantajosos para famílias com pais idosos, ou com filhos universitários, e ainda criam oportunidades interessantes de geração de renda adicional. Pela versatilidade, é um investimento que dialoga com os novos jeitos de morar e deve ser uma tendência crescente nos próximos anos. Os brasileiros estão reconhecendo tais modalidades como possibilidade para ingressar no mercado imobiliário da Flórida e, a partir disso, conquistar a dolarização do patrimônio”, opina Gisele Kolbrich.

Fundos estruturados de desenvolvimento imobiliário

Outro segmento que vem ganhando força entre brasileiros é o investimento em fundos estruturados de desenvolvimento imobiliário nos Estados Unidos, especialmente projetos registrados junto à SEC (Securities and Exchange Commission — Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos). Nesse modelo, investidores adquirem cotas de projetos imobiliários estruturados, enquanto parte significativa do empreendimento é financiada por instituições financeiras americanas. Em muitos casos, cerca de 80% do projeto é financiado através de alavancagem financeira (financial leverage), permitindo potencialização do retorno sobre o capital investido.

Segundo a SEC, investimentos privados estruturados através de ofertas de investimento (offerings) regulamentadas seguem regras específicas de compliance, transparência e divulgação de riscos para investidores. “Esse modelo vem despertando muito interesse porque permite participação em projetos maiores com aportes menores de capital próprio. A alavancagem financeira pode aumentar significativamente o potencial de retorno, principalmente em mercados de forte crescimento populacional e valorização imobiliária como a Flórida”, afirma Gisele Kolbrich.

A empresária ressalta, no entanto, que investidores devem sempre analisar cuidadosamente riscos, estrutura jurídica e credibilidade dos projetos antes de investir. “Muitos brasileiros ainda desconhecem completamente o funcionamento dos investimentos estruturados no mercado americano. Por isso é fundamental trabalhar apenas com projetos devidamente estruturados, registrados e com total transparência jurídica e financeira”, diz.

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