Júlia Dal Rovere

Júlia Dal Rovere

Jornalista

Ética na enfermagem não pode ser mero conteúdo teórico

Ética na enfermagem não pode ser mero conteúdo teórico

A ética na enfermagem não pode ser apenas um conteúdo teórico, mas sim uma parte fundamental da formação dos profissionais da área. A abordagem ética deve ser integrada em todas as disciplinas e práticas, de modo a preparar os enfermeiros para lidar com os dilemas complexos que surgem no cuidado aos pacientes. A negligência na formação ética pode impactar não só a qualidade do atendimento individual, mas também a saúde coletiva, reproduzindo práticas excludentes e discriminatórias. É essencial que a ética seja tratada de forma transversal na formação acadêmica, por meio de estudos de caso, simulações de situações reais e discussões interdisciplinares. A simples memorização de códigos de conduta não prepara os profissionais para lidar com as situações éticas do dia a dia, como decisões sobre tratamentos, equidade no atendimento e conflitos de interesses. A revisão do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem é um passo importante, mas é necessário que essa urgência seja refletida nas salas de aula e não apenas em documentos oficiais. A mudança estrutural no ensino da enfermagem é fundamental para garantir que os profissionais sejam não apenas tecnicamente competentes, mas também conscientes de seu papel social e comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A ética na enfermagem não pode ser relegada a um segundo plano, mas sim integrada de forma efetiva em todo o processo de formação dos profissionais.

Entre para ver as interações desta publicação
Terceirização da folha de pagamento não pode ser tratada como saída de emergência

Terceirização da folha de pagamento não pode ser tratada como saída de emergência

**Terceirização da folha de pagamento não pode ser tratada como saída de emergência** *Por Larissa Mota, CEO do Grupo Exímia* Nos últimos anos, a terceirização da folha de pagamento se consolidou como uma prática comum entre empresas brasileiras, especialmente as de médio e grande porte. Segundo a Associação Brasileira de Recursos Humanos, o número de companhias que optam por transferir suas rotinas trabalhistas para fornecedores especializados segue em constante crescimento. Essa escolha, no entanto, ainda é motivada, em grande parte, pela tentativa de reduzir os riscos provocados pela complexidade da legislação nacional. O problema é que, muitas vezes, essa movimentação acontece de forma reativa, sem planejamento estruturado e não como parte de uma decisão estratégica — o que pode gerar resultados negativos. Delegar a gestão de uma área tão sensível sem governança adequada pode acarretar prejuízos relevantes. É comum ver empresas que, ao buscar mais agilidade, acabam perdendo controle, visibilidade e segurança sobre informações críticas. Um exemplo claro é a falta de integração entre os sistemas internos e os do parceiro contratado, o que compromete o acesso a dados e dificulta a tomada de decisões. Além disso, confiar em fornecedores sem histórico comprovado aumenta a exposição a riscos legais, como erros no processamento da folha, atrasos salariais e ações trabalhistas. Entretanto, quando bem implementada, a terceirização dessa atividade pode trazer ganhos reais. Aumento de eficiência, redução de custos e liberação da equipe interna para atividades mais analíticas estão entre os principais benefícios percebidos. Um relatório da PwC mostra que empresas que adotam soluções de BPO reduzem em até 30% o tempo dedicado a tarefas operacionais e elevam a precisão dos dados em mais de 90%. Esses resultados, no entanto, só são possíveis quando a empresa investe na escolha do parceiro, define indicadores de desempenho e garante compatibilidade tecnológica entre as partes. Dessa forma, delegar a gestão da folha salarial não deve ser encarado como solução rápida para os desafios da legislação trabalhista. Trata-se de um projeto que exige visão de longo prazo, planejamento e compromisso com boas práticas de gestão. Quando feito de forma apressada e sem acompanhamento, o que se observa é a perda de inteligência sobre os dados, queda no controle de compliance e maior dificuldade em responder a falhas. Em vez de resolver, a empresa acaba criando novos gargalos. Para que a terceirização da folha de pagamento seja uma aliada no crescimento sustentável da empresa, é fundamental que ela seja encarada como uma decisão estratégica. Isso envolve a escolha de parceiros experientes e confiáveis, a adoção de tecnologias compatíveis com os sistemas internos e a implementação de processos contínuos de monitoramento e validação. O sucesso desse modelo depende da consistência desses pilares, pois governança, integração e qualidade precisam estar no centro da decisão. Sem esses cuidados, os riscos acabam superando os benefícios esperados. --- *Larissa Mota é advogada, especializada em Relações Trabalhistas e Sindicais pelo Centro Universitário Braz Cubas. Em 2005, fundou a Exímia, BPO especializada em terceirização de folha de pagamento e gestão de benefícios.*

Entre para ver as interações desta publicação