Como divulgar um release na imprensa e aparecer em portais de notícia

Passei mais de três décadas em redação, e tinha uma cena que se repetia todo santo dia. Eu chegava de manhã, abria a caixa de entrada e dava de cara com dezenas de comunicados que ninguém ali ia abrir. Quase todos começavam do mesmo jeito, com a empresa se gabando de si mesma, e bastava a primeira linha para a gente saber que aquilo não era notícia, era folheto disfarçado. O dedo já ia direto para arquivar.

O que furava essa fila nunca foi o tamanho da marca. Era a pauta. Quando pingava algo com um dado novo, com um ângulo que o leitor ia querer ler, ou com uma história de gente de verdade, aquilo virava matéria rápido, e às vezes virava manchete. Eu repeti isso por anos para os meus alunos de Comunicação: a imprensa não está nem aí para divulgar você, ela quer uma boa história. Se a sua empresa estiver dentro de uma boa história, você sai na mídia. Esse guia é justamente sobre como construir essa boa história e levá-la até quem publica.

Resumo rápido: Sair na mídia é conseguir que veículos de imprensa publiquem algo sobre a sua empresa de forma editorial, dentro de uma matéria e não de um anúncio. Isso vale muito porque carrega a credibilidade do veículo. Existem três caminhos para chegar lá: relacionamento com jornalistas, assessoria de imprensa e plataformas de distribuição de notícias. Sair na mídia não depende de sorte, depende de ter uma pauta que interesse ao leitor.

O que significa sair na mídia, na prática

Sair na mídia é ter o nome da sua empresa, do seu produto ou do seu fundador citado em um veículo de imprensa de forma editorial, ou seja, dentro de uma matéria. A diferença em relação ao anúncio importa muito. No anúncio, o leitor sabe que é propaganda e baixa a guarda. Na matéria, a citação vem com o aval de quem publicou, e é esse aval que constrói autoridade para a sua marca. É a mesma informação valendo muito mais só por causa de quem a colocou no ar.

A cobertura editorial pode acontecer de duas formas. Ela é espontânea quando o jornalista busca você por conta própria, e é provocada quando você leva a pauta até ele, por relacionamento, assessoria ou distribuição. Este texto trata principalmente da segunda, porque é a que você consegue conduzir. Para entender a primeira a fundo, vale ler o texto sobre mídia espontânea.

Os três caminhos para aparecer na imprensa

Relacionamento direto com jornalistas

É você, ou alguém do seu time, conversando com repórteres e editores das editorias certas. Funciona muito bem quando a sua pauta é forte e você já tem alguma rede de contatos. O custo financeiro é baixo, mas o custo de tempo é alto, e o resultado depende de você conhecer quem cobre o seu assunto. É o caminho mais artesanal e o que mais depende de constância.

Assessoria de imprensa

São profissionais que cuidam desse relacionamento por você. Eles escrevem comunicados, sugerem pautas, conhecem os jornalistas e acompanham a publicação. Entrega consistência e estratégia, e costuma ser a escolha de quem trata comunicação como rotina, não como evento isolado. Para entender valores e modelos, veja o guia de assessoria de imprensa.

Plataformas de distribuição de notícias

São serviços que pegam o seu conteúdo e publicam em uma rede de portais parceiros, com rapidez e em escala. Resolvem bem a parte de volume e de presença digital, principalmente quando você quer aparecer nas buscas e ganhar links que reforçam a sua marca. É por onde a maioria das pequenas e médias empresas começa, porque o custo de entrada é menor. Entenda como escolher no texto sobre distribuição de notícias.

O que a imprensa realmente publica

Antes de escolher o caminho, vale entender o filtro do outro lado. Editores priorizam pautas que tenham pelo menos um destes ingredientes: novidade real, um número ou dado inédito, relevância para um público amplo, conexão com algo que já está no noticiário, ou uma história humana com começo, meio e fim. Se a sua pauta não tem nenhum desses, o problema não está no caminho escolhido, está na pauta.

O erro mais comum que vi em todos esses anos foi a empresa confundir o que é importante para ela com o que é interessante para o leitor. O lançamento de mais um plano comercial raramente vira notícia. Já um dado do seu setor que ninguém tinha publicado, ou uma tendência que você enxergou antes dos outros, costuma abrir portas que nem o melhor relacionamento abriria.

A diferença entre torcer por publicação e construir presença

O modelo antigo de relação com a imprensa era disparar comunicados para listas enormes e torcer para alguém publicar. O resultado quase sempre era silêncio, porque o jornalista recebia centenas de mensagens iguais, genéricas e sem ângulo, e não tinha tempo para garimpar.

O modelo que funciona hoje parte de uma pauta com valor de notícia e usa o caminho certo para ela chegar a quem cobre o assunto. Quem constrói presença de forma constante deixa de depender da sorte e passa a aparecer com previsibilidade. A imprensa começa a reconhecer o seu nome, e cada nova aparição fica um pouco mais fácil que a anterior.

Como dar o primeiro passo, na prática

  1. Defina o objetivo. Você quer autoridade, presença nas buscas ou responder a uma crise? O objetivo muda o caminho e a urgência.
  2. Encontre o seu ângulo. Procure o dado, a tendência ou a história que só a sua empresa pode contar.
  3. Escreva um comunicado de verdade. Com cara de notícia, não de anúncio. Veja como em o que é press release.
  4. Escolha a editoria certa. Economia, tecnologia, saúde, cada uma tem o seu repórter, e mandar para o lugar errado queima a pauta.
  5. Distribua e acompanhe. Registre onde saiu, guarde os links e use as publicações como prova social no seu site e nas suas vendas.

Quanto custa sair na mídia

Depende do caminho. Relacionamento direto custa principalmente o seu tempo. Assessoria de imprensa tradicional costuma cobrar mensalidades que começam na casa de alguns milhares de reais, com contrato recorrente. Plataformas de distribuição trabalham por pacote ou por publicação, o que torna a entrada mais barata para quem está começando. O ponto não é qual é o mais barato, é qual entrega o resultado que você precisa pelo custo que cabe no seu momento.

Como a KingPost ajuda nesse caminho

A KingPost distribui o seu conteúdo em uma rede de portais de notícia parceiros, com publicação nativa e links reais que reforçam a sua presença nas buscas. Se você quer previsibilidade para aparecer na imprensa sem depender só de relacionamento, conheça os planos da KingPost.

Conclusão

Aparecer na imprensa deixou de ser privilégio de quem tem grande verba. O que separa quem sai na mídia de quem fica de fora é a qualidade da pauta e a escolha do caminho. Comece pequeno, com um ângulo honesto e um bom comunicado, e construa presença de forma constante. A imprensa recompensa quem traz boas histórias, e toda empresa tem pelo menos uma para contar.

Perguntas frequentes

É possível sair na mídia de graça?

Sim, principalmente por mídia espontânea e por relacionamento direto com jornalistas, que não têm custo de contratação. O que esses caminhos exigem é tempo, rede de contatos e uma pauta que realmente interesse ao leitor.

Quanto tempo leva para a primeira publicação?

Por relacionamento pode levar de dias a semanas, conforme a força da pauta. Por plataformas de distribuição costuma ser mais rápido, porque a publicação na rede de portais faz parte do serviço.

Sair na mídia ajuda no Google?

Ajuda quando a publicação gera links e menções em portais relevantes. Isso reforça a autoridade da marca nas buscas e ajuda a empresa a ser citada por ferramentas de inteligência artificial.

Qual a diferença entre matéria e publieditorial?

A matéria editorial entra como notícia, com o tom do veículo. O publieditorial é um conteúdo pago, em geral com selo de publicidade. A matéria editorial carrega mais credibilidade junto ao leitor.

Por onde uma empresa pequena deve começar?

Pela definição de um ângulo de pauta e por um comunicado bem escrito. Depois, pela distribuição, que tem custo de entrada menor que a assessoria tradicional.

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Eduardo Negrão

Eduardo Negrão. Jornalista formado pela PUC-SP, com mais de 30 anos de carreira. Comentarista de política e economia e professor universitário, com passagem por disciplinas de Comunicação, escreve sobre imprensa, comunicação e visibilidade de marcas.

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